Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:20:35, utilizando telescópio refrator APO Orion EON 120mm, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 120 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame - VTOL.

O Trânsito de Mercúrio – by Ricardo José Vaz Tolentino

Space Today
10 maio 2016

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Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:20:35, utilizando telescópio refrator APO Orion EON 120mm, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 120 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame - VTOL.

Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:20:35, utilizando telescópio refrator APO Orion EON 120mm, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 120 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame – VTOL.

Um trânsito é o evento astronômico, observado a partir de um ponto de vista específico, que ocorre quando um corpo celeste A move-se através da face de um corpo celeste B, escondendo uma pequena parte do corpo celeste B.

No evento de 09 de maio de 2016, envolvendo o planeta Mercúrio e o Sol, a partir do ponto de vista aqui da Terra, o trânsito ocorreu quando Mercúrio passou em frente ao disco brilhante do Sol.

Trânsitos são eventos astronômicos raros. No caso de Mercúrio, existem em média, treze trânsitos a cada século.  O último trânsito de Mercúrio ocorreu em 08 de novembro de 2006 e o próximo será em 11 de novembro de 2019, para depois ocorrer em 13 de novembro de 2032. Durante o trânsito, o planeta pode ser visto como um pequeno disco preto, movendo-se lentamente em frente ao hemisfério solar visível.

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O transito de Mercúrio só acontece se o planeta estiver em conjunção inferior com o Sol (entre a Terra e o Sol). Além disso, também é necessário que Mercúrio cruze com o plano orbital da Terra (eclíptica). O ponto de cruzamento da órbita do planeta com o plano da eclíptica é chamado de nodo, e pode ser ascendente ou descendente.

Estamos mais acostumados, devido à frequência, a observar os trânsitos das luas galileanas em frente ao disco do planeta Júpiter.  Porém, no caso específico de planetas, somente as órbitas de Mercúrio e Vênus ocorrem no interior da órbita da Terra. E, por isso, são os únicos planetas que podem passar entre a Terra e o Sol para produzir um trânsito.

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A órbita de Mercúrio é altamente excêntrica, ou seja, sua órbita se distancia da forma circular, traçando um trajeto bastante elíptico. A excentricidade orbital normalmente é representada por valores entre 0 e 1 (o valor 0 representa uma órbita circular). No caso de Mercúrio ela vale 0,2056 e no caso da Terra vale 0,0167. A excentricidade da órbita de Mercúrio faz com que a distância do pequeno planeta ao Sol possa variar aproximadamente de 46 milhões de quilômetros a 70 milhões de quilômetros.

Além disso, a órbita de Mercúrio possui inclinação de 7,004° em relação à órbita da Terra em torno do Sol (eclíptica). Tais órbitas (Mercúrio e Terra), que são extremamente diferentes e inclinadas, trazem consequências importantes sobre as particularidades e a frequência dos trânsitos de Mercúrio, tornando-os raros.

Nos tempos atuais, a órbita de Mercúrio atravessa o plano orbital de nosso planeta no início de maio (nodo descendente) e no início de novembro (nodo ascendente) de cada ano. Nesses momentos, se coincidir de Mercúrio estar passando entre a Terra e o Sol, um trânsito ocorrerá.

Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:14:20, utilizando telescópio refrator APO Tele Vue 85, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 102 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame - VTOL.

Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:14:20, utilizando telescópio refrator APO Tele Vue 85, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 102 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame – VTOL.

Em maio Mercúrio está próximo ao afélio (ponto de órbita mais afastado do Sol) e, por isso, move-se mais lentamente em sua órbita. Em novembro ele está próximo do periélio (ponto da órbita mais perto do Sol) e, por isso, move-se mais rápido em sua órbita.

No periélio, a velocidade orbital de Mercúrio atinge 59,0 km/s, valor esse que é 50% mais rápido do que no afélio, que atinge 38,9 km/s.

Os trânsitos de novembro tem o dobro da frequência dos de maio. Durante o transito de maio, Mercúrio está próximo do afélio (move-se lentamente) e durante o transito de novembro, Mercúrio está próximo do periélio (move-se mais rápido).

Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:14:20, utilizando telescópio solar refrator Coronado PST (filtro H-Alpha) e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame - VTOL.

Foto do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:14:20, utilizando telescópio solar refrator Coronado PST (filtro H-Alpha) e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame – VTOL.

Os trânsitos de maio ocorrem no nodo descendente da órbita de Mercúrio. Nos trânsitos de maio (afélio – mais afastado do Sol e mais próximo da Terra), Mercúrio apresenta um diâmetro angular de 12 arco-segundos e o Sol apresenta diâmetro angular de 1902 arco-segundos. Nessa época, Mercúrio mostra-se com um tamanho de aproximadamente 1/158 do tamanho do Sol, quando visto da Terra.

Os trânsitos de novembro ocorrem no nó ascendente da órbita de Mercúrio. Nos trânsitos de novembro (periélio – mais próximo do Sol e mais afastado da Terra), Mercúrio apresenta um diâmetro angular de 10 arco-segundos e o Sol apresenta 1937 arco-segundos. Nessa época, Mercúrio possui um tamanho de aproximadamente 1/194 do tamanho do Sol, quando visto da Terra.

De acordo com o astrônomo Nelson Travnik, os nodos são cruzados próximo aos dias 7 de maio e 9 de novembro e os trânsitos somente podem ocorrer próximos a esses dias. A diferença principal é que nos trânsitos de maio, Mercúrio está mais próximo da Terra e seu semi-diâmetro é um pouco maior que os trânsitos de novembro. Devido a excentricidade da órbita do planeta, a mais forte do sistema solar, 0,205, os trânsitos de novembro são duas vezes mais numerosos que os de maio.

 Composição fotográfica do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:40:32 (foto maior) e 09:35:15 (foto menor), comparando o diâmetro angular de Mercúrio com a mancha solar AR 2542, que estava presente durante o trânsito. AR 2542 apresentava-se como um grupamento de 8 manchas, cpm tamanho 100 MH e classe magnética β (grupo de manchas solares que possuem polaridade positiva e negativa (bipolar), com uma simples divisão entre as polaridades). As fotos foram obtidas com o uso do telescópio refrator APO Orion EON 120mm, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 120 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame - VTOL.

Composição fotográfica do trânsito de Mercúrio obtida através das nuvens em 09 de maio de 2016, 09:40:32 (foto maior) e 09:35:15 (foto menor), comparando o diâmetro angular de Mercúrio com a mancha solar AR 2542, que estava presente durante o trânsito. AR 2542 apresentava-se como um grupamento de 8 manchas, cpm tamanho 100 MH e classe magnética β (grupo de manchas solares que possuem polaridade positiva e negativa (bipolar), com uma simples divisão entre as polaridades). As fotos foram obtidas com o uso do telescópio refrator APO Orion EON 120mm, Celestron Ultima 2X barlow, filtro luz branca Celestron Omni 120 e câmera Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV – apenas 1 frame – VTOL.

Os principais eventos que ocorrem durante um trânsito são os contatos. Os contatos I e II definem a fase de entrada, enquanto os contatos III e IV definem a fase de saída.

O trânsito começa com o contato I, que é o instante em que o disco do planeta tangencia externamente o limbo do Sol. No contato II, o disco inteiro do planeta é visto pela primeira vez, quando o planeta é tangencia internamente o limbo do Sol. Durante as próximas horas a silhueta escura do planeta atravessa lentamente o disco solar brilhante. No contato III, o planeta atinge o limbo oposto do Sol e mais uma vez tangencia internamente o Sol. O trânsito termina no contato IV, quando o limbo do planeta tangencia externamente o limbo do Sol.

No trânsito de 09 de maio de 2016, o planeta Mercúrio cruzou o disco solar numa direção descendente, de Nordeste para Sudoeste. O trânsito pôde ser visto de qualquer lugar na Terra onde o Sol estivesse acima do horizonte no momento do evento.

Em Belo Horizonte / MG, durante todo o período do trânsito de Mercúrio de 09 de maio de 2016, o céu permaneceu muito nublado, impossibilitando os registros de todos os contatos. Infelizmente, somente conseguimos obter algumas fotos do evento através das nuvens, o que diminuiu a quantidade de registros e também a qualidade dos mesmos.

Image F Assinada

De acordo com o Prof. Vaz Tolentino (Observatório Lunar Vaz Tolentino – onde as fotos do trânsito de Mercúrio presentes neste texto foram obtidas – LAT: 19o 55’ 40.6” S, LON: 043o 55’ 04.1” W, ALT: 898m) e com o Astrônomo Antônio Campos da CEAMIG,  não foi possível cronometrar os instantes I, II, II e IV (parte integrante do projeto do astrônomo Hélio Vital) devido às condições de nebulosidade reinantes “sobre a vertical de Belo Horizonte-MG”.

Relatos de Alexandre Amorim (Estação Costeira 1 -SC), Marcos Calil (Santo André/SP), Antônio Padilha Filho (Correias / RJ) e William Souza, informaram condições atmosféricas desfavoráveis aos registros, com muitas nuvens cobrindo o céu durante o evento do trânsito.

De acordo com os cálculos do astrônomo Hélio Carvalho Vital, do Rio de Janeiro/RJ, para Belo Horizonte / MG, os contatos ocorreram da seguinte forma:

Contato    Hora de Brasília    Altura (o)

I             08:13:50                  25

II            08:17:01                  25

III           15:38:49                  23

IV          15:41:59                    22

Agora só nos resta esperar por 11 de novembro de 2019, quando ocorrerá o próximo trânsito de Mercúrio. Vamos pedir a Deus e à nossa amiga Urânia que nos ajudem, trazendo um céu ensolarado e limpo, nos dando a oportunidade para executar registros totais e com qualidade.

Composição fotográfica obtida através das nuvens, mostrando alguns momentos do trânsito de Mercúrio em 09 de maio de 2016 – fotos com apenas 1 frame – VTOL.

Composição fotográfica obtida através das nuvens, mostrando alguns momentos do trânsito de Mercúrio em 09 de maio de 2016 – fotos com apenas 1 frame – VTOL.

Fonte:

www.vaztolentino.com.br

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Comentários

  • Carlos

    Fantástico,as imagens fornecem uma boa ideia das escalas envolvidas!muito bom trabalho,parabéns.Mercúrio sofre muito sob a gravidade do Sol,aliás,ao explicar a anomalia da órbita de Mercúrio a Relatividade Geral começou a atrair a atenção de alguns cientistas.

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