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Vídeo Mostra a Maior Simulação Cosmológica Já Feita Até Hoje: A Simulação Bolshoi


Como seria se você pudesse voar através do universo e ver a matéria escura? Enquanto a tecnologia para fazer esse tipo de vôo ainda não foi desenvolvida, a tecnologia para visualizá-lo sim. Pesquisadores americanos relataram que geraram a maior e mais realística simulação que mostra a evolução do universo, já feita até hoje, essa simulação ajudará os astrofísicos a entenderem melhor os mistérios sobre a formação das galáxias, a matéria escura e a energia escura.

Os cientistas da Universidade da Califórnia Santa Cruz, e da Universidade Estadual do Novo México em Las Cruces rodaram um programa de computador conhecido como Simulação Cosmológica Bolshoi. O código rodou por 18 dias no Pleiades, o sétimo supercomputador mais poderoso do mundo localizado no Centro de Pesquisa Ames em Mountain View, na Califórnia. Chamada de Bolshoi, que em russo significa grandioso, a simulação levou quatro anos para ser desenvolvida.

A simulação tenta rastrear o progresso das estruturas de grande escala no espaço e traz a tona como as coroas de matéria escura circulam as galáxias no vasto cosmos alimentando elas com a gravidade, a força fundamental que as mantém unida. Começando com uma distribuição relativamente suave da distribuição da matéria escura do início do universo que foi discernida da radiação de micro ondas cósmica de fundo e de outros conjuntos de dados de grande escala do céu, a Bolshoi traça a evolução do universo até hoje que está de acordo com a cosmologia.

“A simulação corrobora com a precisão dos modelos que os astrônomos construíram para clarear a ideia de como a teoria do Big Bang iniciou a fonte de partículas subatômicas e galáxias que habitam nosso universo em crescimento”, disse Joel Primack, chefe do programa de simulação na UC-Santa Cruz.

Os pontos brilhantes mostrados no vídeo acima, são todos nós de matéria escura normalmente invisível, muitos dos quais contém galáxias normais. Longos filamentos e aglomerados de galáxias, todos gravitacionalmente dominados pela matéria escura se tornam evidentes. Comparações estatísticas feitas entre a simulação Bolshoi e os atuais mapas do céu real que mostram as galáxias verdadeiras apresentam uma boa concordância.

“Por um ponto de vista, você pode pensar que os resultados iniciais são um pouco chatos, pois eles basicamente mostram que o nosso modelo cosmológico padrão funciona bem. O que é excitante é que nós agora temos uma simulação muito precisa que servirá como base para importantes novos estudos que aparecerão nos próximos meses e anos”, disse Primack.

Os astrônomos já estimavam que a matéria escura era responsável por quase 80% de toda a matéria no universo. “A simulação anuncia a natureza e o poder de outra força misteriosa identificada como energia escura que é também vital para estabelecer o desenvolvimento do espaço”, afirma Primack.

“Essas imensas simulações cosmológicas são essenciais para interpretar os resultados das observações astronômicas que estão em desenvolvimento e também para planejar as novas grandes pesquisas do universo que podem ajudar a determinar a natureza da misteriosa matéria e energia escura”, disse Anatoly Klypin, professor de astronomia na Universidade Estadual do Novo México, que escreveu o código computacional para a simulação.

“Nós já lançamos uma grande quantidade de dados que os astrofísicos podem começar a usar. Mas isso é menos de 1% da saída final da simulação Bolshoi, pois o resultado é enorme, e será lançado em várias edições no futuro”, explica Primack.

Embora a simulação Bolshoi sustente a existência da matéria escura, muitas questões sobre o universo ainda pairam no ar, incluindo a composição da matéria escura, a natureza da energia escura, e como as primeiras gerações de estrelas e de galáxias se formaram.

Fontes:

http://apod.nasa.gov/apod/ap111003.html

http://www.ibtimes.com/articles/223565/20111003/complete-simulation-of-the-universe-bolshoi-pleiades-big-bang-theory.htm


Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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