Uma Caracterização Completa em Infravermelho da Galáxia do Sculptor

A galáxia do Sculptor é aqui mostrada em diferentes cores infravermelhas, nesse novo mosaico feito pelo Wide Field Infrared Survey Explorer, o WISE da NASA. A imagem principal é a composição da luz infravermelha capturada pelos quatro detectores diferentes do telescópio.

A imagem em vermelho no canto inferior direito mostra o lado ativo da galáxia. Estrelas na sua infância estão esquentando seus casulos, particularmente no núcleo da galáxia, fazendo com que a a galáxia do Sculptor brilhe com intensidade na luz infravermelha. Essa luz – codificada com a cor vermelha nesse caso – foi capturada usando o detector de 22 mícrons que mede o maior comprimento de onda a bordo do WISE. A explosão de poeira das estrelas é tão intensa no centro que isso gera picos de difração. Picos de difração são artefatos que acontecem em telescópios, normalmente vistos somente ao redor de estrelas muito brilhantes.

A imagem em verde no centro a direita revela as estrelas jovens que estão emergindo da galáxia, concentradas no núcleo e nos braços espirais. A luz ultravioleta dessas estrelas quentes está sendo absorvida pela poeira fina ou por pequenas partículas de fuligem que sobraram da sua formação, fazendo com que essas partículas emitam brilho na luz infravermelha codificada aqui em verde. O WISE pode ver essa radiação com um detector desenhado para capturar comprimentos de onda de 12 micra.

A imagem em azul no canto superior direito foi feita com os dois detectores que capturam os menores comprimentos de onda a bordo do WISE (3.4 e 4.6 micra). Essa imagem mostra estrelas de todas as idades que podem ser encontradas não somente no núcleo ou no braço espiral da galáxia, mas também através da galáxia.

A galáxia do Sculptor, ou NGC 253, foi descoberta em 1783 por Caroline Herschel, irmã e colaboradora do descobridor da luz infravermelha Sir William Herschel. Ela foi denominada para mostrar a constelação a que pertence e é parte de um aglomerado de galáxias conhecido como Grupo do Sculptor. A galáxia do Sculptor pode ser vista para observadores no hemisfério sul da Terra com um par de binóculos que forneçam um bom aumento.

A NGC 253 é uma galáxia ativa, o que significa que uma significante fração da sua energia emitida não vem da população normal de estrelas dentro da galáxia. A extraordinária quantidade de estrelas em formação concentradas no núcleo da galáxia tem levado os astrônomos a classificarem essa galáxia como galáxia de explosão de estrelas. Ela está localizada a aproximadamente 10.5 milhões de anos-luz de distância da Terra e é a galáxia de explosão de estrela mais perto da Via Láctea. Contudo a explosão de estrelas somente não explica toda a atividade observada no núcleo. Uma forte possibilidade é que um buraco negro gigante esteja localizado no coração dela, do mesmo modo que acontece com a Via Láctea que hospeda em seu núcleo um buraco negro.

No final do mês de Setembro de 2010 após vasculhar todo o céu uma vez e meia, o WISE exauriu todo o seu suprimento de líquido congelado necessário para manter os detectores dos comprimentos de onda maiores, 12 e 22 micra, na temperatura adequada para o seu funcionamento. O satélite continua a pesquisar o céu com os dois detectores restantes, com o foco voltado agora para a busca de cometas e asteróides que possam representar alguma ameaça ao planeta Terra.

Fonte:

http://spacefellowship.com/news/art23112/the-many-infrared-personalities-of-the-sculptor-galaxy.html

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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