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Telescópio Espacial Hubble Registra Galáxias Em Interação no Par Arp 142

pinguim_galaxy_01

observatory_150105O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA produziu essa vivida imagem de um par de galáxias interagindo conhecido como Arp 142. Quando duas galáxias chegam muito perto uma da outra elas começam a interagir, gerando mudanças espetaculares em ambos os objetos. Em alguns casos as duas podem até se fundirem – mas em outros elas são arrebentadas.

Logo abaixo do centro dessa imagem, está a azulada, e torcida forma da galáxia NGC 2936, uma das duas galáxias em interação no par Arp 142 na constelação de Hydra. Apelidade de O Pinguim ou O Golfinho, pelos astrônomos amadores, a NGC 2936 era uma galáxia espiral padrão antes de começar a se romper graças à gravidade de sua companheira cósmica.

Hubble image of Arp 142

As partes remanescentes dessa estrutura espiral podem ainda serem vistas – o antigo bulbo galáctico agora forma o olho do pinguim, ao redor do qual ainda é possível ver onde os braços da galáxia originalmente giravam. Esses braços corrompidos agora formam o corpo do pássaro cósmico, com faixas brilhantes em azul e em vermelho cruzando a imagem. Essas faixas arqueiam para baixo em direção da companheira próxima da NGC 2936, a galáxia elíptica NGC 2937, visível aqui como um ovo brilhante e branco. O par mostra uma grande semelhança com um pinguim defendendo o seu ovo.

Os efeitos da interação gravitacional entre as galáxias podem ser devastadores. O par Arp 142 é próximo o suficiente para interagir de forma violenta, trocando matéria e gerando muitos estragos.

The area around merging galaxy duo Arp 142 (ground-based image)

Na parte superior da imagem estão duas estrelas brilhantes, ambas localizam-se em primeiro plano com relação ao par Arp 142. Um delas é circundada por um rastro de material azul brilhante, que é na verdade outra galáxia. Acredita-se que essa galáxia esteja muito longe para fazer parte da interação – o mesmo é verdade para as galáxias pontilhadas ao redor do corpo da NGC 2936. Em segundo plano estão as formas alongadas, azuis e vermelhas de muitas outras galáxias, que se localizam a uma grande distância de nós – mas que podem ser vistas nessa imagem graças à nítida visão do Hubble.

Esse par de galáxias recebeu esse  nome em homenagem ao astrônomo americano Halton Arp, o criador do Atlas de Galáxias Peculiares, um catálogo de galáxias com formas estranhas que foi originalmente publicado em 1966. Arp compilou o catálogo para entender como as galáxias se desenvolvem e mudam de forma com o passar do tempo, algo que ele sentia ser pouco entendido. Ele escolheu seus alvos com base na aparência estranha, mas os astrônomos, mais tarde perceberam que muitos dos objetos do catálogo de Arp eram de fato galáxias em fusão e em interação.

Essa imagem é uma combinação de imagens feitas na luz visível e na luz infravermelha, criadas a partir de dados obtidos pela Wide Field Planetary Camera 3 (WFC3) M do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.

Fonte:

http://www.spacetelescope.org/news/heic1311/

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Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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