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Se você encontrar as condições certas e olhar para o céu antes do amanhecer ou logo depois do pôr-do-Sol, poderá ver uma coluna de luz apagada se estendendo desde o horizonte.

Essa faixa luminosa, os astrônomos chamam de luz zodiacal, ou seja, a é a luz do Sol refletida nas pequenas partículas de poeira que orbitam o Sol e com a reflexão ocorrendo na direção do planeta Terra.

Por muito tempo os astrônomos acreditavam que essa poeira vinha de de asteroides e cometas que a deixavam aqui pelo Sistema Solar interno quando nos visitavam.

Mas agora a sonda Juno da NASA revelou para os astrônomos a verdadeira origem da luz zodiacal.

Mas como assim, a sonda Juno não é a sonda que estuda Júpiter, como ela fez essa descoberta?

Isso mesmo, a sonda Juno estuda o planeta Júpiter.

Mas para se locomover para se orientar no espaço ela leva pequenas câmeras chamadas de star trackers.

Como essas câmeras iriam ser usadas ali nas imediações de Júpiter, os engenheiros responsáveis por elas programaram as câmeras para fazer múltiplas imagens do espaço, e quem sabe com elas conseguiram registrar ali algum cometa novo, asteroide ou qualquer outra coisa.

E foi essa qualquer outra coisa que surpreendeu os pesquisadores.

A primeira ideia era que a câmera estava com defeito, pois parecia que alguém tinha virado uma mesa de poeira em cima da câmera.

Mas aí, os pesquisadores começaram a estudar mais a fundo o que estavam vendo e conseguiram calcular a velocidade com a qual os detritos batiam na câmera, estimando uma velocidade de cerca de 16 mil km/h.

Esses registros foram feitos quando a sonda estava viajando para Júpiter, a Juno foi lançada em 2011, em 2012 ela fez uma manobra no cinturão de asteroides, e retornou para o Sistema Solar interno para ganhar uma assistência gravitacional da Terra em 2013.

Nesse momento ela começou a detectar uma grande quantidade de pequenos detritos.

Os seus gigantescos painéis solares funcionaram nesse momento como uma rede coletando esse material e depois esse material batendo nas câmeras do sistema de star tracker da sonda.

Os cientistas determinaram então que existe uma nuvem de poeira que sofre com a gravidade dos planetas, Júpiter, Terra e Marte, apresentando momento de maior concentração e outros de menor concentração de poeira.

Determinaram também que a nuvem de poeira termina na Terra.

E que é essa nuvem de poeira responsável pela luz zodiacal que observamos aqui no céu do nosso planeta.

Eles começaram a pensar então qual seria a origem dessa nuvem de poeira, e portanto da luz zodiacal, estudando a órbita da nuvem de poeira, os gaps e as regiões de maior concentração, eles descobriram que o único objeto conhecido com uma órbita quase circular a cerca de 2 UA é Marte.

Portanto Marte seria a origem da Luz Zodiacal.

Com todos os dados os astrônomos estudaram a distribuição orbital, criaram modelos considerando Júpiter, Terra e outros objetos, mas quando Marte foi inserido na simulação, os dados se ajustaram perfeitamente.

Marte é um excelente candidato mesmo a explicar a luz zodical, pois é o planeta mais empoeirado que conhecemos.

Mas uma grande descoberta sempre traz grandes questões e a maior aqui é, como essa poeira toda escapa da superfície marciana, da sua gravidade, e vai criar esse anel empoeirado no Sistema Solar interno?

É isso que os astrônomos tentarão responder a partir de agora.

Novas sondas espaciais com painéis solares maiores, e com material diferente podem ajudar nessa busca a partir de agora.

Então está aí, a luz zodiacal que você observa é causada por poeira vinda de Marte.

Fonte:

https://www.nasa.gov/feature/goddard/2021/serendipitous-juno-spacecraft-detections-shatter-ideas-about-origin-of-zodiacal-light

https://agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1029/2020JE006509

#JUNO #ZODIACALLIGHT #SPACETODAY
Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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