Recordando o Mecanismo de Funcionamento das Auroras Com Belos Exemplos da Finlândia

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observatory_1501054As imagens aqui publicadas mostram auroras que foram fotografadas na Finlândia por Jari Luomanen durante uma noite completa de observações entre os dia 27 e 28 de Agosto de 2013. “A fase realmente brilhante e ativa das auroras ocorreu por volta de 11 da noite. Por volta da 1 da manhã, ela ficou estável e mais apagada com a cor esverdeada, então eu fui até o meu carro pegar um copo de chá. Eu entrei no carro, tomei meu chá e me cobri, pois a noite estava fria. A próxima coisa que eu lembro é que era por volta das 3 da manhã quando acordei com o pescoço doendo. Por sorte, uma das câmeras estava em modo serial então foi capaz de registrar belas aparições de auroras que ocorreram por volta das 2 da manhã”.

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Mas como as auroras ocorrem mesmo? Os prótons, ou seja, a parte do jato de plasma supersônico ejetado pelo Sol, estava perto da fronteira do campo magnético da Terra. Normalmente eles teriam sua velocidade reduzida na frente de choque e então desviariam subsonicamente através da magnetosfera para deixarem o planeta bem atrás.

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Mas quando as auroras acontecem, existe um buraco na magnetosfera da Terra criado pelo rearranjo e pela reconexão dos campos magnéticos opostos do Sol e da Terra. Os prótons então deslizam através das defesas no domínio da Terra. Eles não chegam a atingir a Terra. Mesmo se eles pudessem, como a maior parte das partículas do vento solar, eles seriam muito lentos e sem energia suficiente para gerar uma aurora notável. Ao invés disso, eles são varridos no plasma magneticamente aprisionado ao redor do lado escuro da Terra. Eles ficam aprisionados numa longa garrafa com milhões de quilômetros composta por plasma.

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O aprisionamento não se dá por muito tempo. O plasma esticado e repleto de partículas cria então seu próprio rearranjo magnético e sua reconexão. Alguma parte desse material é expelida da Terra. O próton é um desses conteúdos cuja massa é acelerada na direção da Terra. Agora sim, ele tem energia suficiente para ser notado. O  movimento se dá de forma descendente e em espiral nas linhas de campo magnético já aglomeradas, com outros prótons e elétrons, formando assim um anel ao redor de cada polo. Assim, dentro dessa tênue atmosfera externa, os movimentos se tornam vagarosos com a perda de energia em colisões. Sua jornada está no fim, mas ela não acontece sem um registro. No seu rastro os átomos de oxigênio são eletronicamente excitados pela sua passagem. Alguns perdem a sua energia duramente conquistada com ainda mais colisões. Poucos, tem tempo de irradiar sua energia em forma de fótons, que na verdade, nada mais é do que a luz verde pura da aurora.

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Fonte:

http://atoptics.co.uk/fz919.htm

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Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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