Primeira Luz De Uma Nova Câmera Poderosa do APEX

Esta imagem da região de formação estelar NGC 6334 é uma das primeiras imagens científicas do instrumento ArTeMiS montado no APEX. A imagem mostra o brilho detectado no comprimento de onda de 0,35 milímetros, emitido pelas densas nuvens de grãos de poeira interestelar. As novas observações da ArTeMiS estão a laranja e foram sobrepostas a uma imagem da mesma região obtida no infravermelho próximo pelo telescópio VISTA do ESO, instalado no Paranal.
Esta imagem da região de formação estelar NGC 6334 é uma das primeiras imagens científicas do instrumento ArTeMiS montado no APEX. A imagem mostra o brilho detectado no comprimento de onda de 0,35 milímetros, emitido pelas densas nuvens de grãos de poeira interestelar. As novas observações da ArTeMiS estão a laranja e foram sobrepostas a uma imagem da mesma região obtida no infravermelho próximo pelo telescópio VISTA do ESO, instalado no Paranal.

observatory_150105Um novo instrumento chamado ArTeMiS acaba de ser instalado com sucesso no APEX – o Atacama Pathfinder Experiment. O APEX é um telescópio de 12 metros de diâmetro instalado a elevada altitude no deserto do Atacama, que opera nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro – entre a radiação infravermelha e as ondas rádio do espectro electromagnético – dando aos astrónomos uma ferramenta valiosa para observar o Universo. A nova câmara forneceu já uma bela imagem detalhada da Nebulosa da Pata do Gato.

A ArTeMiS [1] é uma nova câmara de grande angular que trabalha na região submilimétrica do espectro, e será uma adição importante ao conjunto de instrumentos do APEX, fazendo aumentar a profundidade e detalhe com que se poderá observar. A rede de detectores de nova geração da ArTeMiS atua mais como uma câmara CCD do que a geração anterior de detectores, o que permitirá fazer mapas do céu de campo largo mais depressa e com muito mais pixels.

O crióstato da ArTeMiS instalado no telescópio APEX, no planalto do Chajnantor, no norte do Chile. A ArTeMiS é uma nova câmara de grande angular que trabalha na região submilimétrica do espectro, e será uma adição importante ao conjunto de instrumentos do APEX, fazendo aumentar a profundidade e detalhe com que se poderá observar. A rede de detectores de nova geração da ArTeMiS atua mais como uma câmara CCD do que a geração anterior de detectores, o que permitirá fazer mapas do céu com um campo largo mais depressa e com muito mais pixels.
O crióstato da ArTeMiS instalado no telescópio APEX, no planalto do Chajnantor, no norte do Chile. A ArTeMiS é uma nova câmara de grande angular que trabalha na região submilimétrica do espectro, e será uma adição importante ao conjunto de instrumentos do APEX, fazendo aumentar a profundidade e detalhe com que se poderá observar. A rede de detectores de nova geração da ArTeMiS atua mais como uma câmara CCD do que a geração anterior de detectores, o que permitirá fazer mapas do céu com um campo largo mais depressa e com muito mais pixels.

A equipa que instalou a ArTeMiS [2] teve que lutar contra condições meteorológicas extremas para conseguir completar a tarefa. O Centro de Controlo do APEX encontrava-se praticamente soterrado por imensa neve que caiu no planalto do Chajnantor. Com o auxílio do pessoal do Centro de Apoio às Operações do ALMA e do APEX, a equipa transportou  as caixas onde estava a ArTeMiS até ao telescópio por uma estrada de recurso, evitando os amontoados de neve trazidos pelo vento, e conseguiu instalar o instrumento, colocar o crióstato em posição e ligá-lo na sua posição final.

Para testar o instrumento foi preciso esperar por tempo muito seco, já que os comprimentos de onda no submilímetro que o APEX observa, são fortemente absorvidos pelo vapor de água. No entanto, quando o bom tempo chegou, foram feitas observações de teste bem sucedidas. No seguimento dos testes e das observações de instalação, a ArTeMiS foi utilizada para vários projetos científicos. Um dos alvos apontados foi a região de formação estelar NGC 6334 (Nebulosa da Pata do Gato), situada na constelação austral do Escorpião. Esta nova imagem obtida pela ArTeMiS está significativamente mais nítida do que imagens APEX anteriores da mesma região.

A equipa da ArTeMiS teve que cavar a neve para poder entrar no centro de controlo do APEX, no planalto do Chajnantor, do norte do Chile. Em primeiro plano podemos ver Laurent Clerc e no meio da fotografia temos Jérôme Martignac (à esquerda) e François Visticot (à direita). Ao fundo, perto da porta do edifício, vemos Yannick Le Pennec. Esta fotografia pode ser comparada a uma fotografia do mesmo edifício sob condições atmosféricas normais.
A equipa da ArTeMiS teve que cavar a neve para poder entrar no centro de controlo do APEX, no planalto do Chajnantor, do norte do Chile. Em primeiro plano podemos ver Laurent Clerc e no meio da fotografia temos Jérôme Martignac (à esquerda) e François Visticot (à direita). Ao fundo, perto da porta do edifício, vemos Yannick Le Pennec. Esta fotografia pode ser comparada a uma fotografia do mesmo edifício sob condições atmosféricas normais.

Os testes da ArTeMiS continuam e a câmara regressará brevemente a Saclay, em França, para que se possam instalar mais detectores no instrumento. Toda a equipa está muito entusiasmada com os resultados destas observações iniciais, que são uma bela recompensa pelos muitos anos de trabalho árduo, e os quais não poderiam ter sido alcançados sem a ajuda e o apoio do pessoal do APEX.

Este mapa mostra a localização da NGC 6334, a Nebulosa da Pata do Gato, na constelação do Escorpião, onde se assinalaram a maioria das estrelas visíveis a olho nu sob boas condições de observação. A NGC 6334 propriamente dita está marcada com uma circunferência vermelha. Embora esta maternidade estelar seja proeminente nas imagens, é visualmente fraca necessitando-se de um telescópio grande para ver as partes mais brilhantes.
Este mapa mostra a localização da NGC 6334, a Nebulosa da Pata do Gato, na constelação do Escorpião, onde se assinalaram a maioria das estrelas visíveis a olho nu sob boas condições de observação. A NGC 6334 propriamente dita está marcada com uma circunferência vermelha. Embora esta maternidade estelar seja proeminente nas imagens, é visualmente fraca necessitando-se de um telescópio grande para ver as partes mais brilhantes.

Notas

[1] ArTeMiS é o acrónimo de Architectures de bolométres pour des Télescopes à grand champ de vue dans le domaine sub-Millimétrique au Sol (Rede de bolómetros para telescópios de campo largo no domínio submilimétrico instalados no solo).

[2] A equipa do CEA é composta por Philippe André, Laurent Clerc, Cyrille Delisle, Eric Doumayrou, Didier Dubreuil, Pascal Gallais, Yannick Le Pennec, Michel Lortholary, Jérôme Martignac, Vincent Revéret, Louis Rodriguez, Michel Talvard e François Visticot.


Mais Informações

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck de Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio  ALMA, o maior projeto astronómico que existe atualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio de 39 metros que observará na banda do visível e do infravermelho próximo. O E-ELT será “o maior olho do mundo virado para o céu”.


Fonte:

http://www.eso.org/public/brazil/news/eso1341/

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Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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