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Direto do Observatório Lunar Vaz Tolentino: Archimedes, Aristillus e Autolycus em Dois Tempos

ARCHIMEDES, ARISTILLUS & AUTOLYCUS em dois tempos.

(créditos: Tolentino.)

ARCHIMEDES– Cratera com 83 Km (52 milhas) de diâmetro. Lat: 29.7º N  Long: 4.0 º W.

ARISTILLUS– cratera (diâmetro: 55 Km, Lat: 33.9ºN  Long: 1.2ºE).

AUTOLYCUS – cratera (diâmetro: 39 Km, Lat: 30.7º N Long: 01.5º E).

LINNÉ– cratera (diâmetro: 2,2 Km, Lat: 27.7ºN  Long: 11.8º E).

MONTES CAUCASUS– cordilheira (Lat: 38.4º N  Long: 10.0º E).

Foto distribuída nos mapas LAC 25, LAC 26 e LAC 42.

Melhor época para observação:

Área Geral – Na fase “quarto crescente” ou 6 dias após à fase “Lua cheia”.

Melhor época p/ observação:   

Linné : 6 dias depois da fase “Lua nova” ou 5 dias depois da fase “Lua cheia”.

Aristillus & Autolycus : na fase “quarto crescente” ou 6 dias após a fase “Lua cheia”.

Quem foi Archimedes ?

Físico, matemático e inventor grego (287 – 212 aC). Descobriu um dos métodos para calcular o valor de PI (razão entre o perímetro de uma circunferência e seu diâmetro) utilizando séries. Contribuiu para a hidrostática com o famoso princípio de Archimedes (“Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.”‘). Descobriu ainda o princípio da alavanca, sendo atribuído a ele a conhecida frase: “Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo”.

Quem foi Aristillus ? Astrônomo grego ( ? – 280 aC).  Criou o primeiro catálogo estelar por volta de 300 aC. Trabalhou na grande biblioteca de Alexandria.

Quem foi Linné (Carl Von Linné: 1707 – 1778) ? Botânico, médico e zoólogo sueco. Criou a nomenclatura binomial e a classificação científica, considerado o pai da taxonomia moderna. Archimedes é uma grande e proeminente cratera de impacto e situa-se na margem leste do Mare Imbrium.

A região entre Archimedes e Autolycus foi o local onde a sonda lunar da antiga União Soviética “Luna 2” colidiu com a superfície da Lua em 13 de setembro de 1959. Os equipamentos da “Luna 2” pesavam 390 kg e foi o primeiro objeto feito pelo homem a alcançar a superfície lunar.

Archimedes é a maior cratera existente no Mare imbrium. Um promontorium (saliência ou cabo formado por rochas elevadas ou escarpadas) com forma triangular se estende por 30 Km a partir do sudeste da borda da cratera. O fundo da cratera que foi coberto por lava proveniente do Mare Imbrium, tendo produzido um aspecto plano e liso na sua superfície, além de reduzir sua profundidade para 2,1 Km. Suas paredes são estruturadas em forma de curvas de nível ou degraus (terraced) e se elevam por cerca de 1,6 Km por sobre o piso liso.

A nordeste de Archimedes encontra-se a cratera de impacto Aristillus (diâmetro: 56 Km, Lat: 33.9º N  Long: 1.2º E), com suas paredes internas que desabaram e formaram degraus (walls in terraces) ou curvas de nível, piso interno plano, 3.6 Km de profundidade e 3 belas montanhas centrais com 900m de altura. As bordas externas que circundam a cratera formam uma espécie de “fortificação” com paredes escarpadas e inclinadas, criadas pelos escombros do impacto.

A leste de Archimedes existe a cratera Autolycus (diâmetro: 39 Km, Lat: 30.7º N  Long: 1.5º E). É uma cratera predominantemente circular, de piso irregular, sem a presença de pico central e 3.4 Km de profundidade. Forma um destacado triangulo com Archimedes e Aristillus. Na sua borda leste, está presente a minúscula cratera Autolycus A (diâmetro: 4 Km).

Ao norte de Archimedes e a leste do Mare Imbrium encontra-se uma cadeia de montanhas solitárias conhecidas como Montes Spitzbergen (extensão: 60 Km, Lat: 35.0º N  Long: 5.0º W). Sua extensão de 60 Km assenta-se na direção norte-sul, com uma largura máxima de 25 km. Caracteriza-se como grupamento de montanhas separadas por vales cheios de lava.

Montes Caucasus é a continuação dos Montes Apenninus. É uma cordilheira com 445 Km de extensão e é marcada pela presença de muitos vales.  No meio do seu corpo, localiza-se a cratera Calippus (diâmetro: 32 Km, Lat: 39.9º N  Long: 10.7ºE). É uma cratera posicionada a noroeste do Mare Serenitatis e a leste da cratera Cassini  (diâmetro: 56 Km, Lat: 40.2º N  Long: 4.6º E). Calippus possui piso irregular, com 2,7 km de profundidade e sofreu uma deformação na borda de sua parede no lado oeste.

Montes Caucasus começa na falha no seu extremo sul, que liga o Mare Imbrium do lado oeste com o Mare Serenitatisdo lado leste. A cordilheira do Montes Caucasus estende-se de forma irregular, inclinando-se um pouco ao longo da direção nordeste, onde termina perto da cratera Eudoxus (diâmetro: 67 Km, Lat: 44.3º N  Long: 16.3º E). O pico mais alto dessa cordilheira tem 6 Km de altitude.

Ao sul da cratera Eudoxus e do lado sul do Montes Caucasus, próximo ao seu final, encontra-se os restos remanescentes da cratera fantasma Alexander (diâmetro: 81 Km, Lat: 40.3º N  Long: 13.5º E).

No Mare Imbrium, do lado leste do início dos Montes Caucasus encontra-se a cratera de impacto Aristillus, com 55 Km de diâmetro e 3,6 km de profundidade, que possui um sistema de raios criado pelos escombros ejetados no impacto. Suas paredes internas que desabaram são do tipo “terraced” (com degraus ou curvas de nível). Forma um triângulo clássico na observação da superfície lunar juntamente com Archimedes (diâmetro: 82 Km, Lat: 29.7º N  Long: 4.0º W) e Autolycus (diâmetro: 39 Km, Lat: 30.7º N  Long: 1.5º E). Seu piso é plano e, existem no seu meio, três montanhas centrais com 900m de altitude cada.  

Se observarmos com cuidado a foto, bem junto à cratera Aristillus, no seu lado norte, verificaremos que existe o fantasma de uma cratera bem circular, que foi totalmente inundada for lava basáltica do Mare Imbrium.

A sudeste do início (extremo sul) do Montes Caucasus, encontra-se a super minúscula cratera Linné (diâmetro: 2,0 Km, Lat: 27.7º N  Long: 11.8º E).  É uma pequeníssima cratera de impacto, localizada nas lavas escuras no lado oeste do Mare Serenitatis, com 600m de profundidade e circulada por uma “manta ou cobertor” de material na cor clara ou branca, ejetado no impacto de sua criação. É uma cratera relativamente muitíssimo jovem, com idade estimada em apenas poucas dezenas de milhões de anos.  Esse tamanho de cratera testa o limite da percepção visual em telescópios amadores. No passado, sobre essa cratera, houve relatos de TLP(Transient Lunar Phenomenon – fenômeno lunar transitório, breve ou passageiro), que são descritos como aparições rápidas de luzes, cores ou mudança de aparência no visual.

Existe nessa mesma região de lavas negras do Mare Serenitatis, uma linha norte-sul de jovens e minúsculas crateras de impacto, conhecidas como Linné G, H, F, B e A.  Linné propriamente dita, encontra-se a sudoeste dessa linha. Nessa cadeia de pequeníssimas crateras em forma de linha reta, Linné F e B são um pouco maiores com cerca de 5 Km de diâmetro cada uma.

Dados técnicos da foto:

Autor:

Ricardo José Vaz Tolentino.

Data e Hora:            

19? de ?junho? de ?2010, ??19h24m e ?20? de ?junho? de ?2010, ??19h31m.

Foto com apenas 1 frame, sem longa exposição ou “empilhamento”. Não foram utilizados filtros.

Telescópio:                        

Refletor Dobsoniano SkyWatcher Collapsible Truss-Tube;

Diâmetro Espelho Primário:      

305mm (12”);

Distância Focal:                 

1500mm;

Focal/Ratio – (f/):               

5;

Tripé ou Montagem:                     

Dobsoniana;

Barlow:                                

Celestron Ultima 2X Barlow;

Câmera:                               

Orion StarShoot Solar System Color Imager II;

Não deixem de visitar na internet o site oficial do Observatório Lunar Vaz Tolentino, onde é possível encontrar centenas de imagens da Lua além de muitas informações sobre astronomia e ciência em geral. Visitem o remodelado site do VTOL: www.vaztolentino.com.br

Fonte:

http://www.vaztolentino.com.br/imagens/6251-ARCHIMEDES-ARISTILLUS-AUTOLYCUS-em-dois-tempos#photo_description

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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