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ASTERIA – O Menor Satélite A Detectar Um Exoplaneta Até Hoje

O CubeSat ASTERIA, lançado da Estação Espacial Internacional, na órbita baixa da Terra em 2017, se tornou o menor satélite a detectar um exoplaneta, até o momento.

Isso só foi capaz graças aos cientistas e engenheiros que conseguiram reduzir as dimensões do equipamento capaz de detectar as ínfimas flutuações da luz de uma estrela ao tamanho de um CubeSat. O satélite com 10 cm x 20 cm x 30 cm conseguiu detectar o exoplaneta 55 Cancro e, localizado a 40 anos-luz de distância da Terra.

Detectar esse exoplaneta é muito animador, pois isso mostra como essa nova tecnologia pode ter aplicações reais e muito importantes para ciência astronômica.

O ASTERIA usa a tradicional técnica do trânsito para detectar os sinais da presença do exoplaneta, essa é a mesma técnica usada pelo Kepler (já aposentado), pela TESS e pelo CHEOPS, só que em equipamento de escala muito menor. O satélite procurou por quedas periódicas no brilho da estrela 55 Cancro A à medida que o 55 Cancro e passava na sua frente e isso gerava uma pequena queda na curva de luz.

Um ótimo sistema de controle ajudou a manter o pequeno ASTERIA estabilizado de modo que ele pôde focar pelo tempo necessário para adquirir os dados num alvo como a 55 Cancri A. Isso é fundamental para um satélite poder detectar exoplanetas, pois qualquer vibração ou variação produz um ruído não desejável nos dados, fazendo com que seja mais difícil ou as vezes impossível detectar exoplanetas do tamanho da Terra.

O ASTERIA conseguiu medir a luz infravermelha usando um telescópio de 15 cm e detectou o objeto usando um sensor CMOS que não precisa ser resfriado, do mesmo modo que sensores CCD precisam.

Tudo isso foi um desafio para o pequeno ASTERIA que não foi otimizado para fazer esse tipo de detecção mas mesmo assim conseguiu e os cientistas ficaram muito felizes, pois detectaram um exoplaneta com um telescópio relativamente pequeno.

Os resultados obtidos pelo ASTERIA já foram aprovados para publicação no Astrophysical Journal e esse artigo valida o conceito que motivou a missão do ASTERIA, que é, como uma pequena nave, pode contribuir com algo para a astronomia e astrofísica. E isso pode abrir um caminho para muitas descobertas, mais rápidas e muito mais baratas.

O ASTERIA não está mais em operação, desde abril de 2020, quando o controle da missão perdeu a comunicação com o satélite, porém, antes de perder a comunicação, foi possível receber os dados adquiridos pelo seu sensor, descobrir o exoplaneta e preparar tudo para publicação.

Fonte:

https://www.theregister.com/2020/06/03/asteria_cubesat_exoplanet_discovery/

https://arxiv.org/pdf/2005.14155.pdf

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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