fbpx

As Muitas Cores do Nascimento de uma Estrela

Uma nova imagem feita pelo Gemini North Telescope ilustra bem a dinâmica e às vezes a violência dos processos de nascimento de estrelas. Essa imagem também demonstra a capacidade dos novos filtros disponíveis para os pesquisadores usando o Gemini Multi-Object Spectrograph (GMOS).

Conhecida como Sharpless 2-106 (Sh2-106), uma nebulosa em forma de ampulheta observada na imagem é um berçário estelar feito de gás incandescente e luz dispersada pela poeira. O material recobre uma estrela natal de grande massa que acredita-se seja a responsável pela forma de ampulheta  da nebulosa devido aos ventos de alta velocidade, mais de 200Km/s que ejetam material das profundezas da região de formação de estrelas. Pesquisas também indicam que muitos objetos sub-estelares estão se formando dentro da nuvem e podem algum dia resultar num aglomerado de 50 a 150 estrelas na região.

A nebulosa está localizada a 2000 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Cisne (Cygnus). Suas dimensões físicas são de 2 anos-luz de comprimento por 0.5 ano-luz de largura. A estrela central pode ter mais de 15 vezes a massa do Sol. A formação da estrela começou a aproximadamente 100000 anos atrás e eventualmente sua luz irá se libertar da nuvem que a recobre a medida que se inicia a sua relativa curta vida de estrela massiva.

Os novos filtros fornecem valorosas idéias, pois transmitem em cores específicas da luz visível emitidas pelo hidrogênio excitado, hélio, oxigênio e o enxofre a medida que a radiação da estrela jovem quente energiza a nuvem de gás e poeira. Os filtros são também usados para estudos de nebulosas planetárias e de gás excitado em outras galáxias.

Para compor essa imagem quatro cores foram combinadas: violeta – filtro para o hélio II; azul – filtro para o enxofre II; verde – filtro para o oxigênio III e vermelho – filtro para o hidrogênio –alfa. Cada filtro foi integrado somando um total de 900 segundos.

A imagem foi obtida usando o Multi-Object Spectrograph do Gemini no Gemini North Telescope. O mesmo conjunto de instrumentos é disponível no Gemini South Telescope no Chile.

Fonte:

http://www.gemini.edu/node/11410

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

Veja todos os posts

Arquivo