A Melhor Imagem do Ultima Thule Recebida Até o Momento

As maravilhas e os mistérios do Objeto do Cinturão de Kuiper 2014 MU69, continua a se multiplicar à medida que a sonda New Horizons da NASA manda para a Terra novas imagens adquiridas durante o sobrevoo que ela fez do objeto no dia de ano novo de 2019.

A imagem foi feita durante o sobrevoo histórico de 1 de Janeiro de 2019 do objeto que é informalmente conhecido como Ultima Thule, e é a imagem mais clara feita enviada até agora do antigo e impressionante objeto, localizado nos confins do nosso Sistema Solar, e o primeiro KBO explorado por uma sonda espacial.

A imagem foi obtida com a Multicolor Visible Imaging Camera do instrumento Ralph da New Horizons, e foi feita quando o KBO estava a cerca de 6700 km de distância da New Horizons. A imagem foi obtida às 3:26 do dia 1 de Janeiro de 2019 pelo horário de Brasília, ou seja, apenas 7 minutos antes da maior aproximação da sonda com o objeto. Com uma resolução original de 135 metros por pixel, a imagem foi armazenada na memória da sonda e enviada para a Terra entre os dias 18 e 19 de Janeiro de 2019. Os cientistas então processaram a imagem aplicando nela um algoritmo de deconvolução, esse processo realça os detalhes mais finos da imagem, deixa ela mais nítida e é excelente para interpretar imagens.

A iluminação oblíqua dessa imagem é excelente, pois revela novos detalhes topográficos ao longo do terminador, a linha que divide o dia da noite no objeto, e que está localizado perto do topo da imagem. Esses detalhes incluem numerosas cavidade com cerca de 700 metros de diâmetro. A grande feição circular, com cerca de 7 km de diâmetro que aparece no lóbulo menor do objeto, também parece ser uma depressão profunda. Ainda não está claro se essas cavidades são crateras de impacto ou se são antigas aberturas por onde saia material volátil, ou ainda se são feições de colapso, ou seja, cavidade de colapso.

Ambos os lóbulos mostram muitos padrões interessantes de tonalidade clara e escura de origem desconhecida ainda, mas que pode revelar pistas sobre como esse objeto se formou durante a formação do próprio sistema solar, a cerca de 4.5 bilhões de anos atrás. Uma das feições mais intrigantes no objeto é o colar brilhante que separa os dois lóbulos.

“Essa nova imagem está começando a revelar diferenças no caráter geológico dos dois lóbulos que formam o Ultima Thule, e está nos apresentando novos mistérios também”, disse Alan Stern, o principal pesquisador da missão New Horizons, no Southwest Research institute em Boulder no Colorado. “No próximo mês receberemos imagens coloridas e com melhor resolução que nos ajudará a revelar boa parte dos mistérios do Ultima Thule”.

Atualmente a New Horizons se encontra a cerca de 6.64 bilhões de km da Terra, operando normalmente e se afastando do Sol, a uma velocidade incrível de 50700 km/h. A essa distância, o sinal de rádio enviado pela sonda demora 6 horas e 9 minutos para chegar na Terra, depois de deixar a espaçonave.

Crédito da imagem: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Fonte:

http://pluto.jhuapl.edu/News-Center/News-Article.php?page=20190124

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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