A Classificação das Crateras da Lua

Crateras de impacto afetam toda a superfície da Lua, desde micro cavidades até gigantescas bacias de impactos. As crateras lunares também possuem uma grande variedade de morfologias. Geralmente o tamanho e a morfologia da cratera depende do tamanho e da velocidade com a qual o bólido que a gerou atingiu a superfície lunar. Cientistas lunares usam o tamanho da cratera e a forma para agrupá-las em três categorias básicas: simples, complexas e bacias com multi-anéis. As crateras simples, são circulares, em forma de taça, e normalmente possuem menos de 10-15 km de diâmetro. Crateras complexas são normalmente maiores que 10-20 km de diâmetro e possuem um pico central bem definido. As crateras complexas também às vezes têm um anel com um ou mais terraços. O pico central é trazido desde de grandes profundidades abaixo da cratera à medida que o terreno é elasticamente rebatido após o choque e a pressão causada pelo bólido. Bacias com multi-anéis são partes remanescentes dos maiores impactos sofridos pela superfície lunar e normalmente têm mais de um anel, como a Bacia Imbrium que tem amis de 1100 km de diâmetro. Para saber mais sobre as crateras de impacto na Lua, consultem o capítulo 3 do livro Geologic History of the Moon, feito por Don Wilhelms e disponível on-line, aqui: http://ser.sese.asu.edu/GHM/

Porém, algumas crateras possuem determinadas características que fogem dessas três categorias básicas. Elípticas, poligonais e concêntricas, são outras classificações mais complexas também usadas para as crateras na Lua. As crateras elípticas ou ovais, se formam quando o bólido atinge a superfície com um ângulo oblíquo , normalmente por volta de 10 graus ou menos. As crateras poligonais podem se formar por várias razões, e normalmente a sua morfologia é resultado da presença de material estruturalmente fraco na região do impacto, como algumas crateras que podem ser observadas na superfície da Terra. A imagem aqui é da Cratera Gruithuisen K, um exemplo de uma estrutura de impacto conhecida como cratera concêntrica. A Gruithusen K tem um anel interno e outro externo, bem como possui um material parecido com areia entre as paredes internas e externas. Um possível explicação para a presença de crateras concêntricas como a Gruithusen K é que as camadas geológicas com diferentes propriedades na zona atingida produzem os anéis concêntricos. Como na Terra, o processo de intemperismo como o vento e a chuva, acabam eventualmente escondendo a estruturas de impacto, na Lua isso não acontece. A superfície da Lua é capaz de preservar por bilhões de anos a história dos impactos que ela sofreu além de mostrar essa grande variedade de morfologias. Se ocorrer no futuro a exploração, tanto robótica como humana das estruturas de impacto na Lua, poderão fornecer um valor incrível e novas ideias sobre o processo fundamental que aconteceu no início da história do Sistema Solar além dos processos que aconteceram no sistema Terra-Lua.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/229-Concentric-crater.html

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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