Direto do Observatório Lunar Vaz Tolentino: As Crateras Ptolomeus, Albategnius, Alphonsus, Alpetragius e Arzachel

O belo conjunto de crateras PTOLEMAEUS, ALBATEGNIUS, ALPHONSUS, ALPETRAGIUS & ARZACHEL. (autor: Tolentino)

Foto nos Mapas: LAC 77 e LAC 95.

Melhor período para observação: Na fase Quarto-Crescente ou 6 dias após a fase Lua Cheia.

Cratera Ptolemaeus (Lat: 9.2o S, Long: 1.8o W, diâmetro: 158 Km, profundidade: 2,4 Km) é uma enorme cratera com formação circular, localizada um pouco ao sul e um pouco a oeste do centro do disco lunar. 

Quando o Sol da fase quarto crescente atinge Ptolemaeus, grandes sombras se projetam pela superfície plana de seu amplo piso inundado por lava.  Não existem montanhas ou pico central no interior de seu grande piso plano e apenas a cratera Ammonius (diâmetro: 9 Km, profundidade: 1,9 Km) apresenta-se notável, posicionada na parte nordeste do piso. Ptolemaeus também hospeda várias crateras minúsculas (pequenos pontos) em seu amplo piso. Essa velha e enorme formação circular é um belo alvo nas sessões de observação através de telescópios ou binóculos.

Cratera Alphonsus (Lat: 13.4o S, Long: 2.8o W, diâmetro: 119 Km, profundidade: 2,7 Km) está localizada logo ao sul de Ptolemaeus, sendo que sua parede norte toca a parede sul de Ptolemaeus. Seu piso interno recebeu o impacto da sonda lunar americana Ranger 9, em 24 de março de 1965.

Uma elevação baixa, caracterizada como um tipo de espinhaço, criada por magma ejetado do interior da Lua, dividiu a cratera Alphonsus em duas partes e contém o pico central em forma de pirâmide, que se eleva cerca de 1,5 km por sobre o piso.  Esse espinhaço que bisecciona o piso interno é uma das duas características marcantes de Alphonsus.

A outra característica marcante de Alphonsus é a seguinte: Existem no piso interior de Alphonsus, a presença de três minúsculas crateras circundadas por uma mancha escura, indicando depósitos de material piroclástico (piroclastos: pyro — fogo, e klastos — fragmentos; que são fragmentos de rocha sólida e cinzas vulcânicas que foram expelidos para o ar pela erupção de um vulcão).  Isso significa que, nesses pontos, no passado, ocorriam atividades vulcânicas com erupções e magma ejetado do interior da Lua.  

Cratera Arzachel (Lat: 18.2o S, Long: 1.9o W, diâmetro: 96 Km, profundidade: 3,6 Km) localiza-se logo ao sul de Alphonsus e é a terceira em tamanho no conjunto das três crateras que formam um alinhamento norte-sul (Ptolemaeus, Alphonsus e Arzachel). Arzachel é a cratera mais profunda desse conjunto. Seu piso é plano e as paredes que o circundam, são exemplo notório e clássico de formação do tipo degraus ou curvas de nível (terraced).

Arzachel possui uma grande, massiva e longa montanha central, com cerca de 800m de altitude. Existe um sistema de canal (rille) do lado leste do piso, conhecido como Rimae Arzachel.

Cratera Alpetragius ( Lat: 16o S, Long: 4.5o W, diâmetro: 40 Km, profundidade: 3,9 Km) localiza-se a sudoeste de Alphonsus e possui um incomum e desproporcional maciço central arredondado, com 2 Km de altitude, que ocupa quase todo o seu piso, que tem 3,2  Km de profundidade. Existem evidências de que, esse enorme pico, foi aumentado devido à erupções vulcânicas.

Cratera Albategnius (Lat: 11.2o S, Long: 4.1o E, diâmetro: 129 Km, profundidade: 4,4 Km) é uma velha cratera de impacto de forma quase hexagonal, que tem paredes altas e fortemente erodidas por impactos e desmoronamentos. Possui um vasto piso plano. Seu pico central eleva-se cerca de 1,5 Km por sobre o piso. 

Cratera Klein (Lat: 12o S, Long: 2.6o E, diâmetro: 44 Km, profundidade: 1,5 Km) é uma cratera relativamente rasa em comparação com as outras anteriormente descritas. Teve seu piso foi coberto por lava. O impacto que a criou, destruiu a parede sudoeste de Albartegnius. Possui um piso plano e um pequeno pico central. 

Esse conjunto de formações de crateras que acabou de ser descrito, é muito atrativo e deve fazer parte de sua lista de alvos clássicos da Lua.

Dados técnicos da foto:

Autor:

Ricardo José Vaz Tolentino.

Data e hora:             

?11? de ?abril? de ?2011, ??20h50m.

Foto com apenas 1 frame, sem longa exposição ou “empilhamento”. Não foram usados filtros.

Telescópio:                        

Refletor Dobsoniano SkyWatcher Collapsible Truss-Tube;

Diâmetro Espelho Primário:      

305mm (12”);

Distância Focal:                 

1500mm;

Focal/Ratio – (f/):               

5;

Tripé ou Montagem:                     

Dobsoniana;

Barlow:                                

Celestron Ultima 2X Barlow;

Câmera:                               

Orion StarShoot Solar System Color Imager III;

Não deixem de visitar o site oficial do Observatório Lunar Vaz Tolentino na internet onde é possível encontrar centenas de imagens da Lua, além de muitas informações sobre astronomia e ciência em geral. Visitem: www.vaztolentino.com.br

Fonte:

www.vaztolentino.com.br

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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