UM SEGUNDO BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO CENTRO DA VIA LÁCTEA? | SPACE TODAY TV EP2056

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Uma fala clássica na astronomia é que quase todas as grandes galáxias do universo possuem no seu centro um grande buraco negro.

Um buraco negro supermassivo que tem uma massa na casa dos milhões ou bilhões de vezes a massa do Sol.

Outra coisa que os astrônomos atualmente sabem relativamente bem, é que a formação de uma galáxia segue um processo hierárquico.

Galáxias vão se fundindo umas com as outras, e crescendo, e ficando maiores.

Bem, se cada galáxia possui no seu centro um buraco negro supermassivo, não é nada estranho surgir a hipótese que o centro das galáxias ao invés de um possam ter 2 ou mais buracos negros supermassivos.

Já fiz vídeo aqui mostrando o crescimento de 3 buracos negros supermassivos numa galáxia como resultado de uma múltipla fusão.

Dito isso, vem a pergunta, será que a Via Láctea pode ter 2 buracos negros no seu centro?

E foi com isso em mente que um grupo de pesquisadores resolveu escrever um artigo, onde detalham a possibilidade de que exista um companheiro para o Sagittarius A*.

Estudar o centro da Via Láctea é algo desafiador, é uma região complicada, repleta de nuvens de poeira e gás e um monte de estrelas que passam pra lá e pra cá com uma velocidade absurda.

Porém, é um grande laboratório onde podemos testar grandes teorias, pois está relativamente perto de nós a cerca de 26 mil anos-luz de distância.

Ali no centro da Via Láctea existe uma estrela chamada de S2.

Essa estrela é uma das mais bem estudadas, observadas e monitoradas de toda a nossa galáxia.

É estudando essa estrela que os astrônomos já conseguiram provar efeitos relativísticos previstos por Einstein, estimar a massa do Sagittarius A* entre outras coisas.

Ela tem uma órbita de aproximadamente 16 anos ao redor do nosso buraco negro central.

E foi essa estrela que os pesquisadores usaram para chegar a conclusão que o buraco negro pode ter um companheiro.

Eles primeiro mostraram que a presença de um buraco negro pequeno não interferiria na órbita da estrela S2, ou seja, ela permaneceria estável mesmo num sistema binário de buracos negros.

Depois eles focaram nas observações diretas que são feitas da estrela S0-2, mostraram que a presença de um segundo buraco negro poderia induzir variações observáveis na órbita da estrela e de outras estrelas.

Mas aí seria necessário esperar a próxima passagem da estrela, para poder aprimorar as observações e detectar essas variações.

Outra conta que foi feita pelos pesquisadores, foi mostrar que com a presença de um segundo buraco negro com um disco de acreção, a passagem de um buraco negro por esse disco iria perturbar a radiação eletromagnética detectada nas vizinhanças do Sgr A*.

Outra maneira de medir é usando as estrelas hipervelozes, aquelas que são ejetadas do centro da galáxia, pode ser que essa ejeção ocorra devido à presença de um segundo buraco negro.

Finalmente, através de novos detectores de ondas gravitacionais, como o LISA seria possível registrar as ondas gravitacionais resultantes da interação dos dois buracos negros no centro da Via Láctea.

Mas e aí, afinal, tem ou não outro buraco negro massivo no centro da Via Láctea?

A resposta hoje é que não podemos dizer, o que não podemos é descartar essa possibilidade.

Os pesquisadores já chegaram até mesmo a uma massa para ele, ele não teria mais que 100 mil vezes a massa do Sol, e isso seria muito interessante pois seria um buraco negro supermassivo tendo como companheiro um buraco negro de massa intermediária.

Se um buraco negro com mais de 100 mil vezes a massa do Sol existisse ali, os seus efeitos já teriam sido observados na estrela S0-2 e nas outras estrelas ali existentes.

Ah, e tem a foto também, ela pode nos mostrar alguma coisa.

E aí, temos ou não temos um segundo buraco no centro da Via Láctea?

Fontes:

https://earthsky.org/space/supermassive-black-hole-milky-way-galaxys-center-may-have-friend

https://arxiv.org/pdf/1912.04910.pdf

#SupermassiveBlackHole #MilkWay #SpaceToday

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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