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Um Aglomerado Com Um Segredo

Esta imagem do Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO, mostra o aglomerado estelar globular Messier 4. Esta enorme bola de estrelas antigas é, na realidade, um dos mais próximos aglomerados estelares globulares e aparece na constelação do Escorpião, próximo da brilhante estrela vermelha Antares.
Crédito:
ESO
Acknowledgement: ESO Imaging Survey

Uma nova imagem obtida no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, mostra o espetacular aglomerado estelar globular Messier 4. Esta bola de dezenas de milhares de estrelas antigas é, na realidade, um dos mais próximos e mais estudados aglomerados globulares. Um trabalho recente revelou que uma das estrelas deste aglomerado tem propriedades estranhas e incomuns, aparentemente possuindo o segredo da juventude eterna.

Em torno da nossa galáxia, a Via Láctea, orbitam mais de 150 aglomerados estelares globulares, que datam do passado distante do Universo (eso1141). Um dos mais próximos da Terra é o aglomerado Messier 4 (também conhecido como NGC 6121), situado na constelação do Escorpião. Este objeto brilhante pode ser facilmente observado com binóculos, próximo da brilhante estrela vermelha Antares, e um pequeno telescópio amador consegue distinguir algumas das estrelas que o constituem.

Este mapa mostra a localização do aglomerado estelar globular Messier 4 (também conhecido como NGC 6121) na constelação do Escorpião, próximo da brilhante estrela vermelha Antares. O mapa mostra a maioria das estrelas visíveis a olho nu sob boas condições de observação. Messier 4 propriamente dito está assinalado na imagem com um círculo vermelho. Este aglomerado brilhante pode ser observado com binóculos e é espectacular visto através de um telescópio de tamanho médio.
Crédito:
ESO, IAU and Sky & Telescope

Esta nova imagem do aglomerado, obtida com o instrumento Wide Field Imager (WFI), instalado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla do ESO, revela muitas das dezenas de milhares de estrelas deste aglomerado, o qual nos aparece sob o fundo rico da Via Láctea.

Os astrônomos também estudaram muitas das estrelas do aglomerado de modo individual, utilizando instrumentos montados no Very Large Telescope do ESO. Ao separar a radiação emitida pelas estrelas nas suas componentes coloridas, podem-se obter as suas composições químicas e idades.

Esta vista de campo amplo está centrada no aglomerado estelar globular Messier 4 (NGC 6121), situado na constelação do Escorpião. A imagem foi criada a partir de exposições do Digitized Sky Survey 2 (DSS2). O aglomerado globular menor situado em cima e à esquerda é NGC 6144. É um objeto semelhante a Messier 4, mas que se encontra a uma distância mais de três vezes maior que a de Messier 4. O brilho vermelho das nuvens de hidrogênio e a respectiva formação estelar associada a elas podem ser vistos no canto superior esquerdo, e a brilhante estrela Sigma Scorpii é visível em cima e à direita.
Crédito:
ESO/Digitized Sky Survey 2
Acknowledgment: Davide De Martin.

Os novos resultados para as estrelas de Messier 4 foram surpreendentes. As estrelas dos aglomerados globulares são velhas e por isso não se espera que sejam ricas em elementos químicos pesados [1]. Isto é o que é geralmente observado, mas uma das estrelas encontrada num rastreio recente possui uma quantidade muito maior de lítio, um elemento leve e raro, do que o esperado. A fonte deste lítio permanece um mistério. Normalmente este elemento é gradualmente destruído ao longo dos bilhões de anos de vida da estrela, mas esta estrela, ao contrário de milhares de outras, parece possuir o segredo da juventude eterna: ou conseguiu, de alguma forma manter o seu lítio original, ou encontrou algum modo de se auto-enriquecer com lítio recentemente formado.

A imagem WFI dá-nos uma vista de campo amplo do aglomerado e dos seus arredores bastante ricos. Uma vista complementar e mais detalhada, apenas da região central, obtida com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foi também divulgada esta semana, no âmbito da série Fotografia da Semana do Hubble. 

Esta imagem cintilante obtida com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o centro do aglomerado globular Messier 4. O poder do Hubble resolve o aglomerado numa imensidão de esferas brilhantes, cada uma delas uma fornalha nuclear colossal.
Messier 4 encontra-se relativamente próximo de nós, a cerca de 7200 anos-luz de distância, o que o torna um objeto importante de estudo. O aglomerado contém dezenas de milhares de estrelas e é conhecido por abrigar muitas anãs brancas – os núcleos de estrelas antigas e moribundas, cujas camadas exteriores foram liberadas para o espaço.
Em julho de 2003, o Hubble ajudou a fazer a descoberta extraordinária de um planeta chamado PSR B1620-26 b, com 2,5 vezes a massa de Júpiter e que se encontra neste aglomerado. Estimou-se que o objeto tem uma idade de cerca de 13 bilhões de anos – quase três vezes mais que o Sistema Solar. O que o torna igualmente incomum é o fato de orbitar um sistema binário composto por uma anã branca e um pulsar (um tipo de estrela de nêutrons).
Os astrônomos amadores podem aproveitar e observar Messier 4 no céu noturno. Para isso, podem usar binóculos ou um pequeno telescópio e observar o céu próximo de Antares, uma estrela vermelha-alaranjada no Escorpião. Messier 4 é brilhante para um aglomerado globular mas nunca se parecerá com a imagem detalhada obtida pelo Hubble: poderá apenas ver-se como uma pequena bola de luz desfocada.
Crédito:
ESA/Hubble & NASA

Notas

[1] A maioria dos elementos químicos mais pesados que o hélio são formados nas estrelas e liberados no meio interestelar no final das suas vidas. É deste material enriquecido que se formam as futuras gerações de estrelas. Deste modo, as estrelas muito velhas, tais como as dos aglomerados estelares globulares, formadas muito antes de algum enriquecimento significativo ter ocorrido, possuem menor abundância de elementos pesados, quando comparadas com estrelas que, como o Sol, se formaram posteriormente. 

Mais Informações

O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a pesquisa em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação nas pesquisas astronômicas. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio  ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. O ESO está planejando o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio da classe dos 40 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.

Esta imagem do Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO, mostra o aglomerado estelar globular Messier 4. Esta enorme bola de estrelas antigas é, na realidade, um dos mais próximos aglomerados estelares globulares e aparece na constelação do Escorpião, próximo da brilhante estrela vermelha Antares.
Novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO revelaram que uma estrela – assinalada nesta imagem – tem muito mais lítio do que as outras estrelas do aglomerado que foram estudadas. A fonte deste lítio permanece um mistério. Normalmente este elemento é gradualmente destruído ao longo dos bilhões de anos de vida da estrela, mas esta estrela encontra-se entre as milhares que parecem possuir o segredo da juventude eterna: ou conseguiu, de alguma forma manter o seu lítio original, ou encontrou algum modo de enriquecer com lítio recentemente formado.
Crédito:
ESO

Links

Artigo científico sobre a estrela de Messier 4 surpreendentemente rica em lítio (Monaco et al.)
Fotografias do VLT
Fotografias do telescópio MPG/ESO de 2,2 metros
Outras imagens obtidas com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros
Fotografias de La Silla 

Contatos

Gustavo Rojas
Universidade Federal de São Carlos
São Carlos, Brasil
Tel.: 551633519795
e-mail: grojas@ufscar.br

Richard Hook
ESO, La Silla, Paranal, E-ELT & Survey Telescopes Press Officer
Garching bei München, Germany
Tel.: +49 89 3200 6655
Cel.: +49 151 1537 3591
e-mail: rhook@eso.org

Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1235, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Gustavo Rojas.

Fonte:

http://www.eso.org/public/brazil/news/eso1235/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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