Toda A Maravilha do Céu do Sul Sobre Uma Antena do ALMA

Os seres humanos observam os céus desde há muito tempo, fascinados pela forma ondulante da Via Láctea, as luzes brilhantes das estrelas e planetas e as manchas escuras que obscurecem regiões do céu. Diferentes culturas dão nomes diferentes a estas estruturas; esta Fotografia da Semana mostra uma antena do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) juntamente com um objeto que teve já diferentes identidades ao longo do tempo.

No topo da imagem, dentro da faixa da Via Láctea, encontram-se duas estrelas brilhantes que pertencem ao Cruzeiro do Sul, uma das constelações mais reconhecíveis do céu austral. Logo abaixo destas estrelas podemos ver uma mancha escura e irregular em silhueta contra a faixa central da nossa Galáxia. Trata-se de uma nebulosa escura situada a apenas 600 anos-luz de distância de nós: uma nuvem de moléculas gigante tão densa que bloqueia toda a luz que se encontra por trás dela.

O nome dado a esta mancha escura depende, no entanto, da cultura de cada um. Apesar de ser muito popular como a Nebulosa do Saco de Carvão, há pessoas que a veem com um gigante pássaro celeste. É uma estrutura importante na astronomia dos aborígenes australianos, onde é vista como sendo a cabeça de um emu que se estende ao longo do céu — uma “constelação” composta não por estrelas mas por poeira. Já os astrônomos incas deram a esta nebulosa o nome de Yutu, referindo-se a uma tímida espécie de pássaros do tipo das perdizes encontrada na América do Sul (os tinamous).

Não se consegue ver através de nebulosas escuras como a Saco de Carvão nos comprimentos de onda do visível, mas as estrelas e galáxias obscurecidas por elas frequentemente brilham em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos. É precisamente esta região do espectro eletromagnético que é explorada pelo ALMA, um arranjo de 66 antenas localizada no norte do Chile.

Crédito:

ESO/Y. Beletsky (LCO)

Fonte:

https://www.eso.org/public/brazil/images/potw2112a/

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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