
O futuro observatório da NASA, Nancy Grace Roman, utilizará uma técnica inovadora de análise de vazios cósmicos para testar os limites do modelo cosmológico padrão e investigar a natureza da misteriosa energia escura que acelera a expansão do universo.
Introdução: Uma Nova Janela para o Universo Escuro
Em uma das mais aguardadas missões da próxima década, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para até maio de 2027, está preparado para revolucionar nossa compreensão do cosmos. Um estudo recente, publicado no The Astrophysical Journal por uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Giovanni Verza, do Flatiron Institute em Nova York, detalha como o Roman poderá usar os “vazios cósmicos” — as vastas regiões de baixa densidade na teia cósmica — como uma ferramenta de precisão para medir a expansão do universo e a natureza da energia escura. A pesquisa apresenta uma previsão robusta do poder estatístico que será obtido através da análise combinada da distribuição de tamanhos dos vazios (Void Size Function – VSF) e da correlação entre vazios e a posição das galáxias (Void-Galaxy Cross-correlation Function – VGCF).
Ao observar mais de 80.000 desses gigantescos vazios em uma área de 2.000 graus quadrados do céu, o Roman fornecerá dados com uma precisão sem precedentes, capazes de confirmar ou desafiar o modelo cosmológico padrão, conhecido como Lambda-CDM (ΛCDM). Esta abordagem inovadora promete não apenas complementar, mas também aprimorar os métodos cosmológicos tradicionais, como o estudo de aglomerados de galáxias e oscilações acústicas de bárions, abrindo uma nova e empolgante janela para os componentes mais enigmáticos do nosso universo.
O estudo representa uma colaboração internacional envolvendo pesquisadores de instituições renomadas, incluindo o Center for Computational Astrophysics do Flatiron Institute, a Universidade de Nova York, a Universidade de Roma Tre, a Universidade de Princeton, a Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, a Universidade de Waterloo e o Jet Propulsion Laboratory do Caltech. Esta diversidade de expertise reflete a complexidade e a importância do projeto, que combina simulações computacionais avançadas, teoria cosmológica de ponta e preparação para análise de dados observacionais reais.
O Universo Oco: Detalhando a Ciência dos Vazios Cósmicos
A estrutura em grande escala do universo não é uniforme. Em vez disso, ela se assemelha a uma vasta teia cósmica, composta por filamentos de galáxias e matéria escura que se entrelaçam, formando densos aglomerados em seus cruzamentos. Entre essas estruturas, existem imensas regiões de baixa densidade, conhecidas como vazios cósmicos. Longe de serem meramente “espaços vazios”, esses vazios são laboratórios cosmológicos únicos. Como sua evolução é dominada pela gravidade de forma mais simples do que nas regiões densas, eles preservam informações primordiais sobre a expansão do universo e a natureza da energia escura.
Os vazios cósmicos são estruturas verdadeiramente colossais. Seus tamanhos variam tipicamente de dezenas a centenas de megaparsecs, onde um megaparsec equivale a aproximadamente 3,26 milhões de anos-luz. Para colocar isso em perspectiva, a Via Láctea, nossa galáxia, tem um diâmetro de cerca de 100.000 anos-luz. Portanto, um único vazio cósmico pode abranger um volume equivalente a milhares de galáxias do tamanho da Via Láctea. Essas estruturas se formaram a partir de pequenas flutuações de densidade no universo primordial, que foram amplificadas pela gravidade ao longo de bilhões de anos. As regiões ligeiramente menos densas se tornaram cada vez mais vazias, enquanto a matéria fluía para as regiões mais densas, formando os filamentos e aglomerados que vemos hoje.
O estudo de Verza et al. 1 foca em como o levantamento espectroscópico de alta latitude (High Latitude Spectroscopic Survey – HLSS) do Telescópio Roman irá mapear esses vazios com detalhes extraordinários. A missão observará uma vasta área do céu, identificando a posição tridimensional de milhões de galáxias. Com esses dados, os cientistas poderão construir um mapa 3D da teia cósmica e, consequentemente, identificar os vazios contidos nela. O principal algoritmo a ser utilizado para essa tarefa é o VIDE (Void IDentification and Examination), que funciona como um “localizador de vazios”, identificando regiões esféricas de baixa densidade de galáxias através de uma técnica conhecida como tesselação de Voronoi.
A tesselação de Voronoi é um método matemático elegante que divide o espaço em células, cada uma contendo uma única galáxia. O tamanho de cada célula é inversamente proporcional à densidade local de galáxias: em regiões densas, as células são pequenas, enquanto em regiões de baixa densidade (os vazios), as células são grandes. Ao identificar agrupamentos de células grandes, o algoritmo VIDE consegue localizar e caracterizar os vazios cósmicos com precisão.
A pesquisa simula o que o Roman irá observar, criando um “universo em um computador” (conhecido como lightcone) que imita as propriedades do levantamento HLSS. Este lightcone foi construído a partir da simulação cosmológica “unit”, uma das simulações de N-corpos mais precisas já realizadas, que rastreia a evolução de bilhões de partículas de matéria escura ao longo da história cósmica. Dentro dessa simulação, os pesquisadores aplicaram o VIDE e identificaram 82.551 vazios em uma faixa de redshift (desvio para o vermelho, uma medida de distância e tempo cósmico) entre 1 e 2. Isso corresponde a observar o universo como ele era há bilhões de anos, um período crucial em que a energia escura começou a dominar a expansão cósmica.
O redshift é uma ferramenta fundamental na cosmologia observacional. Quando a luz de uma galáxia distante viaja pelo espaço em expansão, seu comprimento de onda é esticado, deslocando-se para o vermelho do espectro eletromagnético. Quanto mais distante a galáxia, maior o redshift. Ao medir o redshift de milhões de galáxias, o Roman poderá determinar suas distâncias e, assim, construir um mapa tridimensional do universo. A faixa de redshift entre 1 e 2, que será o foco principal do levantamento HLSS, corresponde a uma época em que o universo tinha entre 3 e 6 bilhões de anos de idade, aproximadamente. Este é um período particularmente interessante porque marca a transição entre a era dominada pela matéria e a era dominada pela energia escura.

As Estatísticas dos Vazios: VSF e VGCF
Duas estatísticas principais foram analisadas para extrair informações cosmológicas dos vazios cósmicos. A primeira é a Função de Tamanho de Vazio (VSF), que descreve a abundância de vazios de diferentes tamanhos. A teoria prevê que o número de vazios grandes e pequenos depende diretamente de parâmetros cosmológicos, como a quantidade total de matéria no universo (Ωm) e a amplitude das flutuações de densidade iniciais (σ8). Medir a VSF com precisão, portanto, permite restringir esses valores fundamentais.
A VSF é análoga à função de massa de halos, que descreve a abundância de aglomerados de galáxias de diferentes massas. Assim como a formação de aglomerados massivos é sensível à cosmologia, a formação de vazios grandes também é. Em um universo com mais matéria, a gravidade é mais forte, e os vazios tendem a ser “esmagados” mais rapidamente, resultando em menos vazios grandes. Por outro lado, em um universo com menos matéria, os vazios podem crescer mais livremente, resultando em mais vazios grandes. Ao contar o número de vazios de diferentes tamanhos, os cosmólogos podem inferir a quantidade de matéria no universo.
A segunda estatística é a Função de Correlação Cruzada Vazio-Galáxia (VGCF), que descreve como as galáxias se distribuem em torno dos centros dos vazios. Em um universo em expansão, os vazios não são perfeitamente esféricos quando observados. Eles aparecem distorcidos devido a dois efeitos principais. O primeiro é o efeito Alcock-Paczynski, que surge quando assumimos uma cosmologia incorreta para converter redshifts em distâncias. Se a cosmologia assumida for diferente da cosmologia verdadeira, os vazios aparecerão alongados ou achatados ao longo da linha de visada. O segundo efeito são as distorções no espaço de redshift, causadas pelos movimentos peculiares das galáxias em direção às paredes dos vazios. Essas galáxias estão caindo gravitacionalmente em direção às regiões mais densas, e esse movimento adiciona um componente de velocidade ao seu redshift observado, distorcendo a forma aparente do vazio.
A VGCF é extremamente sensível a essas distorções, permitindo medir a taxa de crescimento das estruturas cósmicas e a taxa de expansão do universo (a constante de Hubble, H) em diferentes épocas. A taxa de crescimento das estruturas é particularmente importante porque é diretamente afetada pela natureza da gravidade. Se a relatividade geral de Einstein estiver correta, a taxa de crescimento deve seguir uma previsão específica. Qualquer desvio dessa previsão poderia indicar a necessidade de modificar a teoria da gravidade em escalas cosmológicas.
O poder da análise reside na combinação dessas duas estatísticas. Enquanto a VSF é mais sensível à densidade de matéria, a VGCF é uma sonda poderosa da dinâmica da expansão. Juntas, elas quebram degenerescências que limitam outras técnicas cosmológicas, fornecendo restrições muito mais rigorosas. Por exemplo, a VSF sozinha pode ter dificuldade em distinguir entre um universo com alta densidade de matéria e baixa amplitude de flutuações e um universo com baixa densidade de matéria e alta amplitude de flutuações. No entanto, a VGCF responde de forma diferente a esses dois cenários, permitindo que a combinação das duas estatísticas determine ambos os parâmetros com precisão.
A equipe de pesquisa utilizou uma análise estatística sofisticada, baseada em Monte Carlo via Cadeia de Markov (MCMC), para prever quão bem o Roman poderá medir os parâmetros cosmológicos. O MCMC é um método computacional que explora o espaço de parâmetros de forma eficiente, identificando as regiões que são mais consistentes com os dados observados. Os resultados mostram que, mesmo considerando apenas o modelo ΛCDM mais simples, o Roman poderá medir a densidade de matéria (Ωm) com uma precisão de cerca de 3%, a amplitude das flutuações (σ8) com precisão similar, e a constante de Hubble reduzida (h) com precisão de alguns por cento.
Mais importante ainda, a análise se estende a modelos mais complexos de energia escura, como o wCDM (onde a equação de estado da energia escura, w, é constante, mas não necessariamente -1) e o w₀wₐCDM (onde w varia com o tempo). A equação de estado da energia escura relaciona sua pressão (P) à sua densidade de energia (ρ) através da fórmula P = wρc², onde c é a velocidade da luz. Para uma constante cosmológica, w = -1 exatamente. No entanto, muitos modelos teóricos de energia escura preveem valores de w ligeiramente diferentes de -1, ou valores que variam com o tempo. A sensibilidade única dos vazios à dinâmica da expansão torna esta técnica uma das mais promissoras para descobrir se a energia escura é uma constante cosmológica, como proposto por Einstein, ou algo mais dinâmico e exótico.
Implicações Científicas: Testando os Pilares da Cosmologia
A capacidade do Telescópio Roman de realizar medições de alta precisão usando vazios cósmicos terá implicações profundas e de longo alcance para a cosmologia. A principal delas é a possibilidade de realizar um teste rigoroso do modelo cosmológico padrão, o ΛCDM. Este modelo tem sido extraordinariamente bem-sucedido em descrever o universo, mas baseia-se em dois componentes misteriosos: a matéria escura fria (Cold Dark Matter) e a energia escura na forma de uma constante cosmológica (Λ). Juntos, esses componentes representam cerca de 95% do conteúdo total de energia do universo, mas sua natureza fundamental permanece desconhecida.
A análise de vazios do Roman fornecerá uma medição independente e de alta precisão dos parâmetros deste modelo, como Ωm e σ8, que poderá ser comparada com os resultados de outras sondas cosmológicas, como a radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB) e os levantamentos de supernovas. A radiação cósmica de fundo, medida com precisão extraordinária pelo satélite Planck da ESA, fornece um instantâneo do universo quando ele tinha apenas 380.000 anos de idade. Os levantamentos de supernovas, por sua vez, medem a taxa de expansão do universo em épocas mais recentes. Qualquer discrepância significativa entre essas medições poderia sinalizar a necessidade de uma nova física para além do modelo padrão.
De fato, já existem algumas tensões intrigantes entre diferentes medições cosmológicas. A mais famosa é a “tensão de Hubble”, uma discrepância de cerca de 5 sigma entre o valor da constante de Hubble medido a partir do CMB (assumindo o modelo ΛCDM) e o valor medido diretamente a partir de supernovas e cefeidas no universo local. Outra tensão, embora menos significativa estatisticamente, envolve o parâmetro σ8, que parece ser ligeiramente menor quando medido a partir de lentes gravitacionais fracas do que quando inferido do CMB. Os vazios cósmicos do Roman fornecerão uma medição completamente independente desses parâmetros, ajudando a esclarecer se essas tensões são reais ou resultado de erros sistemáticos nas medições anteriores.
Talvez a contribuição mais empolgante seja a capacidade de investigar a natureza da energia escura. O modelo ΛCDM assume que a energia escura tem uma densidade constante no tempo e no espaço. No entanto, muitas teorias alternativas propõem que a energia escura é dinâmica, ou seja, sua densidade e pressão podem evoluir ao longo do tempo cósmico. Algumas dessas teorias propõem a existência de um novo campo escalar, chamado “quintessência”, que permeia o universo e cuja energia varia lentamente com o tempo. Outras teorias propõem modificações na própria teoria da gravidade em escalas cosmológicas.
Os vazios, por serem sensíveis tanto à geometria do universo quanto à taxa de crescimento das estruturas, são uma ferramenta ideal para testar esses modelos dinâmicos. O estudo de Verza et al. demonstra que a combinação das estatísticas VSF e VGCF do Roman poderá restringir os parâmetros da equação de estado da energia escura (w₀ e wₐ) com uma precisão que rivaliza ou até supera a de outros grandes levantamentos, como o Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) e o Euclid da ESA. Descobrir que w não é igual a -1 ou que ele varia com o tempo seria uma das maiores descobertas da física moderna, forçando uma revisão completa de nossa compreensão da gravidade e da energia.
Além disso, a ciência dos vazios abre caminho para testar outras fronteiras da física, como a soma das massas dos neutrinos e possíveis modificações na teoria da relatividade geral de Einstein em escalas cosmológicas. Os neutrinos são partículas extremamente leves que permeiam o universo em grande quantidade. Embora sua massa individual seja minúscula, a soma das massas de todas as espécies de neutrinos tem um efeito mensurável na formação de estruturas cósmicas. Neutrinos massivos tendem a suprimir a formação de estruturas em pequenas escalas, e os vazios são particularmente sensíveis a esse efeito. A precisão dos dados do Roman, combinada com a pureza teórica das previsões para os vazios, fará desta uma das análises mais limpas e poderosas da próxima geração de levantamentos cosmológicos.

O Telescópio Nancy Grace Roman: Uma Máquina de Descobertas
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, nomeado em homenagem à “mãe do Hubble”, a astrônoma Nancy Grace Roman que foi fundamental para o desenvolvimento do Telescópio Espacial Hubble, representa um salto significativo nas capacidades observacionais da astronomia espacial. Com um espelho primário de 2,4 metros de diâmetro — o mesmo tamanho do Hubble — o Roman terá um campo de visão 100 vezes maior, permitindo mapear vastas áreas do céu com eficiência sem precedentes.
O levantamento HLSS, que é o foco do estudo de Verza et al., utilizará o espectrômetro de campo amplo do Roman para medir os redshifts de milhões de galáxias em uma área de 2.000 graus quadrados do céu. Isso representa aproximadamente 5% de todo o céu, uma área enorme para um levantamento espectroscópico de alta precisão. O Roman será capaz de detectar galáxias com linhas de emissão de hidrogênio alfa (Hα) até redshifts de cerca de 2, correspondendo a uma época em que o universo tinha apenas cerca de 3 bilhões de anos de idade.
A combinação de grande área de cobertura, alta densidade de galáxias detectadas e medições precisas de redshift fará do Roman uma ferramenta ideal para a ciência dos vazios cósmicos. O estudo prevê que o Roman identificará mais de 80.000 vazios cósmicos na faixa de redshift entre 1 e 2, um número sem precedentes para essa época cósmica. Esses vazios serão caracterizados com precisão suficiente para extrair informações cosmológicas significativas, complementando e estendendo os resultados de levantamentos anteriores, como o Sloan Digital Sky Survey (SDSS) e o BOSS, que mapearam vazios em redshifts mais baixos.
Metodologia e Simulações
O estudo de Verza et al. emprega uma metodologia rigorosa para prever o poder de restrição cosmológica dos vazios do Roman. A base da análise é um lightcone de galáxias simulado, construído a partir da simulação cosmológica “unit”. Esta simulação rastreia a evolução de uma caixa cúbica de 1 Gpc/h de lado (onde Gpc é gigaparsec e h é a constante de Hubble reduzida), contendo bilhões de partículas de matéria escura. As galáxias são então “pintadas” sobre os halos de matéria escura usando técnicas de modelagem de ocupação de halos (HOD – Halo Occupation Distribution), que descrevem estatisticamente como as galáxias populam os halos de matéria escura.
O lightcone resultante imita as propriedades observacionais do levantamento HLSS do Roman, incluindo a área de cobertura, a densidade de galáxias e a faixa de redshift. Os pesquisadores então aplicaram o algoritmo VIDE para identificar os vazios no lightcone simulado, obtendo um catálogo de 82.551 vazios. Para cada vazio, foram medidas propriedades como o raio efetivo, a posição do centro e o redshift médio.
A partir desse catálogo, os pesquisadores calcularam a VSF e a VGCF em três bins de redshift: 1.0-1.3, 1.3-1.6 e 1.6-2.0. A escolha de três bins representa um equilíbrio entre resolução temporal (para capturar a evolução dos vazios com o tempo cósmico) e precisão estatística (cada bin precisa conter vazios suficientes para uma medição precisa). As matrizes de covariância, que descrevem as incertezas e correlações entre as medições, foram estimadas a partir de múltiplas realizações do lightcone, permitindo uma análise estatística robusta.
A análise MCMC foi então realizada para determinar quão bem os dados simulados podem restringir os parâmetros cosmológicos. Os pesquisadores consideraram três modelos cosmológicos: ΛCDM (com Ωm, σ8 e h como parâmetros livres), wCDM (adicionando w₀ como parâmetro livre) e w₀wₐCDM (adicionando também wₐ). Os resultados demonstram que a combinação de VSF e VGCF fornece restrições significativamente mais rigorosas do que qualquer uma das estatísticas sozinha, confirmando a complementaridade das duas sondas.
Conclusão: O Futuro Brilhante da Cosmologia de Vazios
O artigo de Giovanni Verza e seus colaboradores estabelece, de forma convincente, que o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman está prestes a inaugurar uma era de ouro para a cosmologia de vazios. Ao fornecer um catálogo sem precedentes de dezenas de milhares de vazios cósmicos em um período crucial da história do universo, o Roman nos dará uma nova e poderosa ferramenta para sondar os mistérios da energia escura e da expansão cósmica. A análise combinada da abundância e da estrutura dos vazios promete fornecer algumas das restrições mais rigorosas até hoje sobre os parâmetros fundamentais que governam nosso universo.
Este trabalho não apenas serve como um roteiro para a futura análise dos dados do Roman, mas também solidifica o papel dos vazios cósmicos como um dos pilares da cosmologia de precisão do século XXI. Os pesquisadores planejam estender esta análise em trabalhos futuros, incorporando efeitos observacionais mais realistas, como máscaras de survey e erros de medição de redshift, bem como explorando a complementaridade com outras sondas cosmológicas.
Enquanto aguardamos o lançamento e os primeiros dados do Roman, a perspectiva de usar os maiores e mais vazios espaços do universo para desvendar seus segredos mais profundos nunca foi tão brilhante e promissora. A teia cósmica está prestes a revelar muito mais sobre sua natureza, e os vazios estão no centro do palco, prontos para contar sua história. A ciência dos vazios cósmicos, que há algumas décadas era considerada uma curiosidade marginal, está agora firmemente estabelecida como uma das ferramentas mais poderosas da cosmologia moderna. Com o Telescópio Roman, essa ciência está prestes a atingir novos patamares de precisão e descoberta.

Referências
[1] Verza, G., et al. 2025, The Astrophysical Journal, 993, 227. DOI:


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