fbpx
17 de setembro de 2021

Telescópio NuSTAR da NASA Observa Os Raios-X de Alta Energia do Sol

pia18906-nustarsun

observatory_150105Pela primeira vez, uma missão desenhada para voltar seus olhos para buracos negros e outros objetos distantes do nosso Sistema Solar, observou algo aqui na nossa vizinhança, ou melhor ainda, fez imagens da nossa estrela. O Nuclear Spectroscopic Telescope Array, ou NuSTAR da NASA fez sua primeira imagem do Sol, produzindo o retrato mais sensível até hoje da nossa estrela em raios-X de alta energia.

“O NuSTAR nos forneceu uma visão única do Sol, das partes mais profundas para as partes mais altas de sua atmosfera”, disse David Smith, um físico solar e membro da equipe do NuSTAR na Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Os cientistas solares pensaram pela primeira vez em usar o NuSTAR para estudar o Sol a cerca de sete anos atrás, depois que a construção e o desenvolvimento do telescópio já estava em andamento, só lembrando que o telescópio foi lançado em 2012. Smith contactou a principal pesquisadora, Fiona Harrison do Instituto de Tecnologia da Califónia, em Pasadena, que ficou muito interessada com a ideia.

“No começo pensei que a ideia era louca”, disse Harrison. “Por que pegar o nosso telescópio mais sensível já construído para detectar os raios-X de alta energia, desenhado para espiar o espaço profundo, e fazer ele observar algo que está no nosso quintal?”. Smith convenceu Harrison, explicando que os flashes de raios-X apagados previstos pelos teóricos só poderiam ser observados pelo NuSTAR.

Embora o Sol seja muito brilhante para outros telescópios como o Observatório de Raios-X Chandra da NASA, o NuSTAR pode observar a nossa estrela de maneira segura sem correr o risco de danificar os seus detectores. O Sol não é tão brilhante assim em Raios-X de alta energia detectados pelo NuSTAR, um fator que depende da temperatura da atmosfera do Sol.

Essa primeira imagem solar feita pelo NuSTAR demonstra que o telescópio pode de fato obter dados sobre o Sol. E dá uma ideia sobre questões relativas às altas temperaturas que são encontradas sobre a manchas solares. Imagens futuras fornecerão dados ainda melhores já que o Sol caminho para a parte mais tranquila de seu ciclo.

“Nós vamos volta a observar o Sol quando ele estiver mais calmo”, disse Smith, explicando que a atividade do Sol vai diminuir nos próximos anos.

Com a visão de alta energia do NuSTAR, ele tem potencial para capturar as chamadas e hipotéticas nanoflares – versões menores das gigantes flares solares que entram em erupção com partículas carregadas e com radiação de alta energia. As nanoflares, devem existir, e podem explicar porque a atmosfera externa do Sol, chamada de coroa, é tão quente, um mistério, chamado de problema do aquecimento coronal. A temperatura na coroa solar é em média de 1 milhão de graus Celsius, enquanto que a superfície do Sol, é relativamente mais baixa, 6000 graus Celsius. É como se tivéssemos uma labareda saindo de um cubo de gelo. As nanoflares, em combinação com as flares podem ser a fonte desse calor intenso.

Se o NuSTAR puder registrar as nanoflares em ação, ele pode ajudar a resolver esse quebra-cabeça de décadas.

“O NuSTAR é muito sensível a atividade de raios-X mais apagados que acontece na atmosfera solar, o que inclui as possíveis nanoflares”, disse Smith.

Além disso, o observatório de raios-X pode pesquisar pelas também hipotéticas partículas da matéria escura, chamada  de axions. A matéria escura é cinco vezes mais abundante do que a matéria regular no universo. Todos os dias, a mataria familiar a nós, por exemplo, em mesas, cadeiras, planetas e estrelas é somente uma ínfima parcela do que existe. Enquanto a matéria escura tem sido indiretamente detectada através da força gravitacional, sua composição permanece desconhecida.

É um grande desafio, dizem os cientistas, mas o NuSTAR pode ser capaz de registrar os axions, um dos principais candidatos a matéria escura. Os axions apareceriam como uma mancha de raios-X, no centro do Sol.

Enquanto o Sol espera por futuras observações do NuSTAR, o telescópio continua com a sua busca galáctica, pesquisando buracos negros, supernovas e outros objetos extremos além do nosso Sistema Solar.

O NuSTAR é uma missão chamada de Small Explorer, liderada pela Caltech e gerenciada pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, também em Pasadena, para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. A sonda foi construída pela empresa Orbital Sciences Corporation, em Dulles, na Virginia. Seus instrumentos foram construídos por um consórcio incluindo a Caltech, o JPL, a Universidade da Califórnia em Berkeley, a Universidade de Columbia, em Nova York, o Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, o Danish Technical University na Dinamarca, o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, em Livermore na Califórnia, o ATK Aerospace Systemsn, em Goelta, na Califórnia, e com suporte do Centro de Dados Científicos da Agência Espacial Italiana (ASI).

O centro de operações da missão NuSTAR fica em UC Berkeley, com a ASI fornecendo sua estação equatorial de terra em Malinda, no Quênia. O programa da missão é baseado na Universidade Estadual Sonoma, em Rohnert Park, na Califórnia. O Explorer Program da NASA é gerenciado pelo Goddard. o JPL é gerenciado pela Caltech, para a NASA.

Para mais informações, visitem:

For more information, visit:

http://www.nasa.gov/nustar

http://www.nustar.caltech.edu

Fonte:

http://www.nasa.gov/jpl/nustar/sun-sizzles-in-high-energy-x-rays/index.html#.VJqyesA0

alma_modificado_rodape105

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

Veja todos os posts

Arquivo