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23 de fevereiro de 2024

SXP 1062: O Pulsar Que Intriga os Astrônomos


Com as comemorações de fim de ano se aproximando, uma nova imagem feita a partir de um conjunto de telescópios tem revelado um ornamento cósmico pouco comum. Dados obtidos pelo Observatório de Raios-X Chandra da NASA e pelo XMM-Newton da ESA foram combinados para descobrir um jovem pulsar na parte remanescente de uma supernova localizada na Pequena Nuvem de Magalhães. Esse é o primeiro pulsar definitivo, ou seja, uma estrela ultra densa em rotação, descoberto na remanescente de supernova na Pequena Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia satélite da Via Láctea.

Na imagem composta, os dados de raios-X do Chandra e do XMM-Newton foram coloridos de azul e os dados ópticos obtidos pelo Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile foram coloridos de vermelho e verde. O pulsar, conhecido como SXP 1062, é a fonte branca brilhante localizada na parte direita da imagem, no meio da emissão azul difusa dentro da concha vermelha. Os raios-X difusos e a concha de comprimentos de onda óptico são ambos parte da evidência da existência de uma remanescente de supernova ao redor do pulsar. Os dados ópticos também mostram espetaculares formações de gás e poeira na região de formação de estrela na parte esquerda da imagem. Uma comparação da imagem do Chandra com imagens ópticas mostra que o pulsar tem uma companheira massiva e quente.

Os astrônomos estão interessados no SXP 1062 pois os dados do Chandra e do XM-Newton mostram que ele gira com uma velocidade anomalamente baixa, em torno de um ciclo a cada 18 minutos. Isso é pouco se comparado com a grande maioria dos pulsares que se movem múltiplas vezes por segundo, até mesmo os pulsares mais recentes. A relativa calma do SXP 1062 faz dele um dos mais lentos pulsares de raios-X em rotação na Pequena Nuvem de Magalhães.

Duas diferentes equipes de cientistas estimaram que a supernova remanescente ao redor do SXP 1062 tem entre 10000 e 40000 anos de idade, como ela aparece na imagem. Isso significa que o pulsar é muito jovem, para o ponto de vista astronômico, desde que ele foi provavelmente formado na mesma explosão que produziu a parte remanescente de supernova observada. Assim sendo, assumindo que ele nasceu com uma rotação rápida, é um mistério o por que que o pulsar SXP 1062 tem reduzindo tanto a sua velocidade em tão pouco tempo. Trabalhos já começaram em modelos teóricos que tem como objetivo principal entender a evolução de um pulsar incomum como esse.

Fonte:

http://chandra.si.edu/photo/2011/sxp1062/


Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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