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17 de setembro de 2021

Sonda Juno Registra Imagens de Pluma Vulcânica no Satélite Io de Júpiter

Uma equipe de cientistas espaciais capturou novas imagens de uma pluma vulcânica no satélite Io de Júpiter durante o décimo sétimo sobrevoo da sonda Juno pelo Gigante Gasoso. No dia 21 de Dezembro de 2018, durante o solstício de verão, 4 câmeras da Juno registraram imagens do satélite Joviano Io, o corpo mais vulcânico do Sistema Solar. A JunoCam, o Stellar Reference Unit, ou SRU, o Jovian Infrared Auroral Mapper, JIRAM e o Ultravioleta Imaging Spectrograph, ou UVS, observaram Io por mais de uma hora, espiando as regiões polares do satélite, bem como observando a evidência de um atividade de erupção vulcânica.

A sonda Juno está fazendo um trabalho magnífico no que diz respeito a imagemento multi-espectral das regiões polares de Io, mas nem os pesquisadores esperavam ter tanta sorte de que no momento em que estivessem observando Io, pudessem registrar uma pluma vulcânica ativa, expelindo material da superfície do satélite. Scott Bolton, principal pesquisador da Juno considerou essa imagem um verdadeiro presente de ano novo, além de mostrar que a Juno é totalmente capaz de ver claramente as plumas de Io.

A JunoCam adquiriu as primeiras imagens, no dia 21 de Dezembro de 2018, às 10:00, 10:15 e 10:20, hora de Brasília, antes de Io entrar na sombra de Júpiter. As imagens mostram a metade iluminada do satélite com um ponto brilhante um pouco além do terminador, que é a linha que divide o dia da noite.

O solo de Io já estava nas sombras, mas a altura da pluma permitiu que ela refletisse a luz do Sol, algo muito parecido com o que acontece na Terra, com o topo das montanhas ou as nuvens altas, que continuam iluminadas mesmo depois do Sol se pôr.

À 10:40, hora de Brasília, depois de Io ter passado pela escuridão de um eclipse total, atrás de Júpiter, a luz do Sol refletida por outro satélite, Europa, ajudou a iluminar Io e a sua pluma. As imagens feitas pelo SRU mostram Io levemente iluminado pela luz refletida pelo satélite Europa. A feição mais brilhante em Io na imagem acredita-se seja uma assinatura de radiação, uma lembrança do papel do satélite em alimentar os cinturões de radiação de Júpiter, enquanto que as outras feições mostram o brilho da atividade de alguns vulcões em Io. O SRU foi feito para rastrear estrelas, então ele só consegue fazer imagens de Io nessas condições com pouca iluminação. No dia 21 de Dezembro de 2018, os cientistas tiveram uma oportunidade única de observar a atividade vulcânica com o SRU, usando somente a luz refletida por Europa.’

Já o instrumento JIRAM que é sensível ao calor, detectou pontos quentes na parte noturna e diurna do satélite.

Nós sabemos que os satélites de Júpiter não são os objetivos primários dos instrumentos da Juno como o JIRAM, mas os cientistas aproveitam sempre que passam perto para dar uma observada, principalmente em Io. Como o JIRAM é um instrumento sensível à radiação infravermelha, ele é perfeito para estudar Io. E essa é uma das melhores imagens de Io já feitas com o JIRAM.

Essas imagens mais recentes de Io podem dar novas ideias aos pesquisadores sobre as interações do Gigante Gasoso com seus 5 satélites mais próximos, interações essas que causam a atividade vulcânica em Io ou o congelamento da atmosfera do satélite durante o eclipse. O JIRAM, por exemplo, documentou a atividade vulcânica em Io antes e depois do eclipse. Os vulcões de Io foram descobertos pela sonda Voyager em 1979. A interação gravitacional com Júpiter é o que comanda o vulcanismo no satélite, que emite plumas na forma de guarda-chuva de gás SO2 e produz extensos campos de lava basáltica.

As recentes imagens de Io foram registradas bem na metade da missão da Juno em Júpiter. A sonda está programada para completar o mapeamento do planeta em Julho de 2021. A Juno foi lançada em 2011 e chegou em Júpiter em 2016. A sonda orbita Júpiter a cada 53 dias, estudando suas auroras, sua atmosfera e a sua magnetosfera.

A sonda Juno é movida por energia solar, e possui 8 instrumentos científicos desenvolvidos para estudar a estrutura interna de Júpiter, a sua atmosfera e magnetosfera. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA gerencia a missão Juno para o seu principal pesquisador, Bolton. A Juno é parte do Programa New Frontiers da NASA que é gerenciado no Marshall Space Flight Center em Huntsville no Alabama, para o Science Mission Directorate da agência. A empresa Lockheed Martin, construiu a sonda, e o Southwest Research Institute, forneceu os dois instrumentos que estudam as auroras Jovianas.

Fonte:

https://www.swri.org/press-release/light-from-volcanoes-io-juno-jupiter-moon

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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