Relatório do Reino Unido Destaca o Brasil em Mortes por Avalanches, Temos Muito o que Aprender: O Que Será do Relatório de 2012?

Teresópolis 2 de Fevereiro de 2011
Teresópolis 24 de Maio de 2010

O Professor Dave Petley do  Hazard and Risk in the Department of Geography at Durham University no Reino Unido finalizou seu gerenciamento de dados de 2010 que mostra quantas vidas foram perdidas em avalanches pelo mundo. Aqui um resumo do que ele encontrou, se preparem é revelador.

Primeiro uma imagem geral da situação. Ele registrou um total de 6211 mortes em 494 avalanches. Esse número segundo ele é menor do que nos anos anteriores pois não ocorreram muitas avalanches disparadas por terremotos. Contudo em termos de eventos causados pela chuva esse não foi um bom ano.

O maior evento de avalanche em termos de perda de vida aconteceu em Zhouqu na China, no dia 8 de Agosto de 2010 e matou 1765 pessoas. Outros grandes eventos foram em 2 de Março de 2010 em Bududa com 358 mortos, em 6 de Abril de 2010 no Morro do Bumba, em Niteroi, Brasil com 196 mortos, um evento em 7 de Agosto em Leh na India, com 234 mortos e o evento de 4 de Outubro de 2010 em Papua Oeste, Indonésia com 145 mortos.

Os dados globais coletados por ele e plotados em um gráfico mostram um pico de eventos no hemisfério norte durante o verão (Julho e Agosto) e um mínimo em Dezembro. O ano de 2010 não foi exceção a essa regra, como o gráfico abaixo que mostra o número de avalanches registradas que mataram uma ou mais pessoas através do ano:

Em termos de distribuição geográfica, os dois gráficos pizza abaixo mostram os continentes com seus maiores impacto. O gráfico a esquerda mostra o número de avalanches enquanto que o da direita mostra as fatalidades. Como é normal a Ásia domina ambos os gráficos. Nesse ano o número de eventos que mataram pessoas foi maior no Leste da Ásia, alguns anos é no Sul da Ásia.

Naturalmente o domínio do Leste da Ásia nesses gráficos refletem o sério problema que a China tem com avalanches. E lógico que sem nos surpreender a China foi o país mais impactado por esses eventos:

Esse gráfico mostram usando barras e o eixo esquerdo, o número de mortos para as 15 nações mais impactadas ordenadas da esquerda para a direita. A linha do gráfico mostra o número de avalanches fatais registradas em cada país, eixo da direita.

O que mais nós do Brasil podemos aprender com isso? Primeiro é simples,  temos que aprender. Será que é difícil para o governo fazer um estudo como o do Professor Dave? Se for, contrate ele que tenho certeza que o fará com gosto. O Professor identificou séries históricas, será que no Brasil seria difícil notar que as chuvas de Dezembro a Março  por anos e anos vem causando tragédias?

Nesses gráficos, tirando a China, onde qualquer catástrofe mata centenas, senão milhares, o Brasil lidera as outras estatísticas, isso em 2010. O que será desse estudo em 2011 para o Brasil? Com a contagem que atualmente está próxima de 900 o Brasil estaria só um pouco atrás da China, um país de bilhão de habitantes e com uma geografia que em determinados pontos não ajuda em nada.

Será que o problema é mesmo da chuva? Será que o Brasil é um país livre de desastres naturais? Tudo bem, não temos terremotos catastróficos e nem uma alameda de tornados como nos EUA, mas alguém se lembra do Catarina e das chuvas em Santa Catarina?

Deixo aqui o meu muito obrigado ao Professor Dave (congratulations Professor) por mostrar que um estudo pode revelar detalhes que com certeza ajudaria e muito em salvar vidas. Vamos esperar o relatório de 2012 que irá contabilizar a tragédia na região serrana do rio de Janeiro.

Fonte:

http://blogs.agu.org/landslideblog/2011/02/05/global-deaths-from-landslides-in-2010/#comment-2138

 

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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