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24 de fevereiro de 2024

Planck Revela Primeira Luz do Universo

Essa imagem aqui reproduzida é a primeira imagem inteira do céu feita pelo telescópio europeu Planck que foi lançado no ano passado com o principal objetivo de realizar uma busca pela luz mais velha do universo.

Essa imagem mostra o que é visível além da capacidade dos instrumentos tradicionais instalados na Terra. A imagem reflete comprimentos de onda muitos longos, muito mais longos do que aqueles que podemos ver com nossos olhos.

Os pesquisadores dizem que esse é u conjunto de dados espetacular e que irá ajudar a entender melhor como o universo se tornou naquilo que conhecemos atualmente.

“Essa espetacular imagem é uma obra prima”, disse o Dr. Jan Tauber, cientista do projeto Planck da Agência Espacial Européia.

Dominando o fundo da imagem estão os grandes segmentos da Via Láctea.

A linha horizontal brilhante que cruza todo o comprimento da imagem é o disco principal da galáxia, ou seja, o plano onde o Sol e a Terra estão localizados.


Esse plano é também o local onde a maioria das estrelas na Via Láctea se formam atualmente, mas pelo fato dessa imagem registrar somente radiação emitida em comprimentos de onda longos (microondas e infravermelho muito distante), o que nós realmente observamos nessa imagem não são estrelas.

Na verdade o que estamos vendo são os ingredientes que formarão as estrelas, ou seja, gás e poeira.

É interessante observar que existem grandes feixes de poeira fria que se estende por milhares de anos-luz acima e abaixo do plano galáctico.

“O que estamos vendo é a estrutura da nossa galáxia em gás e poeira, que nos diz muito sobre o que está por vir nas vizinhanças do Sol e também nos diz muito sobre como as galáxias se formam, quando comparamos com outras galáxias”, explica o Professor Andrew Jaffe, membro da equipe do Planck no Imperial College de Londres.

Por mais que a Via Láctea apareça muito bonita, sua emissão precisa ser removida, pois na verdade os cientistas querem ter uma melhor visão do material de fundo, que está colorido de magenta na imagem.

Essa é a famosa radiação cósmica de microondas de fundo (CMB), que é um dos principais objetivos da missão do Planck.

A CMB é considerada como a primeira luz do universo. É a luz que foi finalmente permitida se mover pelo espaço após universo pós Big Bang ter se esfriado o suficiente para permitir a formação de átomos de hidrogênio.

Antes desse tempo, dizem os cientistas, o cosmos seria tão quente que a matéria estaria toda unida, ou seja, o universo seria algo opaco.

Os pesquisadores podem detectar as variações da temperatura nesta antiga energia e assim conseguem ter uma idéia sobre as primeiras estruturas do universo, e uma pista de tudo que vem depois.

O maior desafio do Planck é encontrar evidências sobre a inflação, a expansão mais rápida que a luz que os cosmologistas acreditam que o universo experimentou nos seus primeiros instantes de vida.

A teoria diz que esse evento ficou impresso na CMB e os seus detalhes podem ser recuperados com instrumentos que sejam suficientemente sensíveis.

O Planck foi então desenhado para ter essa capacidade. Alguns de seus detetores operam na temperatura de -273.05 graus Celsius, ou seja, apenas um décimo de grau acima daquilo que os cientistas chamam de zero absoluto.

O Planck já está pronto para o processo de montar uma segunda versão do mapa. Ele tem combustível para adquirir no mínimo mais quatro versões desse mapa.

“Nós sabemos que eventualmente a medida que os dados se tornem cada vez melhores, nós estaremos chegando ao limite do que sabemos sobre nossos instrumentos”, explica o Professor Jaffe.

“E então para que o Planck tenha mais vida nós devemos aprender mais sobre os instrumentos e assim remover muitos efeitos contaminantes, que acabam produzindo ruídos indesejáveis no sistema”.

A equipe do projeto Planck irá precisar de um pouco mais de tempo para analisar todos os dados e assim acessar a sua importância. Um lançamento formal de uma imagem completa da CMB não é esperado antes do fim de 2012.

Contudo, existem antecipações que estão utilizando os dados do Planck, com um ou dois grupos já tentando fazer interpretações não autorizadas simplesmente observando as imagens lançadas na imprensa como essa aqui reproduzida.

Mas o Dr. Tauber diz, “A CMB certamente é visível mas a imagem é colorida para destacar determinados aspectos e não dever ser usada com fins científicos”.

“Nós também reduzimos a resolução da imagem para deixá-la em um tamanho que possa ser acessível para as pessoas. Caso contrário ela seria muito grande”.

O Planck é a principal missão da ESA, foi lançado em Maio de 2009 e se movimentou então para a sua posição de observação a mais de um milhão de quilômetros da Terra.

Ele carrega instrumentos que observam o céu por meio de nove freqüências . O Instrumento de Alta Freqüência (HFI) opera entre 100 e 857 GHz (comprimento de onda de 3 mm a 0.35 mm), e o Instrumento de Baixa Freqüência (LFI) opera entre 30 e 70 GHz (comprimentos de onda de 10mm a 4mm)

Uma viagem interessante pelos comprimentos de onda e como o universo aparece para os diferentes pontos de vista pode ser encontrada aqui: http://www.chromoscope.net/?w=m

Fonte:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/science_and_environment/10501154.stm


Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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