Os Raios-X Permitem Olhar o Passado e Através dos Obstáculos Cósmicos para Revelar os Segredos do Universo

Uma imagem de raio-X é algo belo? Representações visuais de raios-X são imbuídas com infinitas tonalidades de cinza, traços fantasmas e linhas assombradas, talvez convidando alguns para observá-las como objetos de arte ao invés de feitos científicos. Focando nas variações de raios-X em sombra ou valor, pode permitir as audiências a derivar na contemplação, mas essas variações formais podem ter implicações enormes e complexas.

Trabalhos conservadores tentam de forma incansável fazer uma interseção entre a aplicação prática dos raios-X e a arte, pesquisas em arquivos e  análises     químicas tentaram usar a tecnologia raio-X para interromper as narrativas que definem seu campo.   Em suas investigações foram encontradas aplicações de raio-X sobre pinturas famosas, criando novas imagens com o potencial de destruir o valor de um original  se fosse considerada uma cópia, ou até mesmo resolvendo disputas em fúria sobre a técnica usada pelo construtor.

Através do uso inverso da tecnologia raio-X, onde as altas energias são captadas ao invés de criadas, os astrofísicos usam os raios-X para revelar os detritos de estrelas que explodiram, além de revelar materiais invisíveis espiralando ao redor de buracos negros além de outros fenômenos violentos do espaço profundo.

Pelo fato da radiação de raio-X ser o tipo de radiação mais energética que pode ser detectada pelo olho humano, esses artistas na verdade criam novas linhas, e novas maneiras de ver esse mundo e mundos que ainda desconhecemos.

“Os raios-X provenientes do cosmos permitem aos cientistas investigarem os domínios extremos invisíveis para os mais poderosos telescópios ópticos, regiões onde a matéria foi aquecida a milhões de graus próximo dos buracos negros e estrelas de nêutrons, ondas de choque de supernovas e explosões galácticas”, diz Wallace Tucker, astrofísico do Chandra X-Ray Center em Cambridge, Mass.

“É uma questão de escala. Se uma pintura é o nosso universo, os raios-X podem nos mostrar como ele se desenvolveu, revelando composições invisíveis e escondidas. Eles podem revelar a distribuição dos elementos pesados  (como o chumbo, o mercúrio) através de uma superfície. Eles podem mostrar detalhes sobre a sua construção: o padrão de uma madeira, o tecido da tela, a presença ou a ausência. Os raios-X podem destacar características ou expor anomalias”, disse Teri Hensick, pintor conservador no Straus Center for Conservation and Technical Studies de Cambridge, Mass.

Esse projeto dá a oportunidade de explorar e pesquisar processos usados pelos artistas conservadores e pelos astrofísicos. Os métodos utilizados em ambos os campos necessitam de rigor, muitas vezes exploratório, investigação e atenção aos detalhes.

Fonte:

http://chandra.si.edu/art/xray/

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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