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24 de fevereiro de 2024

Observatório Espacial Planck Revela O Grande Arco Vermelho – A Parte Remanescente De Uma Antiga Estrela Massiva


Imagens obtidas pelo observatório espacial Planck da Agência Espacial Europeia revelaram as forças que guiam a formação das estrelas e deram aos astrônomos uma maneira de entender a complexa física que molda o gás e a poeira na nossa galáxia. Onde telescópios terrestres ópticos observam somente um espaço escuro, os olhos sensíveis às micro ondas do Planck revelam uma miríade de estruturas brilhantes de poeira e gás. Os astrônomos usaram essa capacidade do Planck para pesquisar a região de Orion, uma região rica em formação de estrelas, localizada a aproximadamente 1500 anos-luz de distância da Terra.

A imagem cobre uma grande parte da constelação de Orion. A nebulosa é o ponto brilhante abaixo do centro da imagem. O ponto brilhante à direita do centro é a região ao redor da famosa Nebulosa da Cabeça do Cavalo, assim chamada pois seus grandes pilares de poeira lembram a forma de uma cabeça de cavalo.

O gigantesco arco vermelho do Laço de Barnard é pensado como sendo a onda de choque de uma estrela que explodiu dentro da região a aproximadamente dois milhões de anos atrás. A bolha criada durante essa explosão tem aproximadamente 300 anos-luz de diâmetro.

Em contraste com a região de Orion, a região de Perseus é menos vigorosa em termos de formação de estrelas, como mostra o Planck na imagem abaixo, mas mesmo assim ainda se pode ver uma quantidade razoável dessas regiões.

Ambas as imagens mostram três processos físicos que estão acontecendo no meio interestelar repleto de poeira e gás. O Planck pode nos mostrar cada um desses processos de forma separada. Nas frequências mais baixas, o Planck mapeia as emissões causadas pelos elétrons de alta velocidade interagindo com os campos magnéticos da galáxia. Um componente difuso adicional surge da rotação das partículas de poeira que emitem radiação nessas frequências.

Em comprimentos de onda intermediários, de alguns milímetros, a emissão é causada pelo gás aquecido das jovens estrelas quentes que se formaram.

Ainda nas altas frequências, o Planck mapeia o calor emitido pela poeira extremamente fria. Isso pode revelar os núcleos mais frios nas nuvens, que estão se aproximando do estado final de colapso, antes que eles renasçam em novas estrelas. As estrelas então dispersam as nuvens ao redor.

O delicado equilíbrio entre a nuvem colapsada e a nuvem dispersada regula o número de estrelas que a galáxia gera. O Planck irá avançar nosso entendimento sobre todo o processo, pois pela primeira vez, ele está nos fornecendo dados sobre os maiores mecanismos de emissão que estão em curso.

Fonte:

http://www.dailygalaxy.com/my_weblog/2011/12/image-of-the-day-the-red-arc-remnant-of-an-ancient-massive-star.html



Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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