O Segredo do Aglomerado Estelar Jovem Palomar 1

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA capturou uma clara imagem do aglomerado globular conhecido como Palomar 1, que tem sua bela juventude como um mistério para os astrônomos. Esse objeto apagado e esparso é muito diferente dos mais familiares brilhantes e ricos aglomerados globulares e teve que esperar até 1954 para ser descoberto por George Abell um fotógrafo que trabalhava no telescópio Palomar Schmidt.

Aglomerados globulares são conglomerados unidos de estrelas, que são encontrados nas regiões externas da Via Láctea no chamado halo galáctico. Eles estão entre os objetos mais velhos na galáxia, contendo estrelas muito velhas e sem gás, o que significa que não é possível que ocorra nascimento de estrelas introduzindo sangue novo para os aglomerados.

Contudo, com idade entre 6.3 e 8 milhões de anos, o Palomar 1 é o mais jovem entre os aglomerados globulares – ele tem um pouco mais da metade da idade da maioria dos aglomerados globulares na Via Láctea, que foram formados durante a violenta história inicial da galáxia. Contudo, os astrônomos suspeitaram que jovens aglomerados globulares como o Palomar 1 , se formou de uma maneira mais calma. Possivelmente uma nuvem de gás se meandrou ao redor do halo da Via Láctea até disparar o processo de formação de estrelas. Uma outra possibilidade é que a Via Láctea capturou o grupo de estrelas, que talvez estivesse vagando pelo universo antes de ser gravitacionalmente atraído pela nossa galáxia, ou talvez ele tivesse tido início a partir da parte remanescente de uma galáxia anã que foi devorada pela Via Láctea.

Além da população esparsamente distribuída do Palomar 1, algumas galáxias no plano de fundo são vistas e algumas estrelas próximas, no primeiro plano também são visíveis. Junto com o Palomar 1 esses objetos constituem um verdadeiro retrato de família.

Essa imagem foi criada a partir de imagens feitas com o Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys. Imagens obtidas através dos filtros laranja (F606W, colorido em azul) e do infravermelho próximo (F814W, colorido em vermelho) foram combinados. O tempo de exposição usado foi de 1965 segundos para cada filtro e o campo de visão é de 3.0 arcos de minuto de diâmetro.

Fonte:

http://www.spacetelescope.org/images/potw1104a/

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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