O Olho Brilhante da NGC 6751

Os astrônomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA obteve imagens de uma nebulosa planetária incomum, a NGC 6751. Brilhando na constelação da Aquila, como um olho gigante, a nebulosa é uma nuvem de gás ejetada alguns milhares de anos atrás a partir de uma estrela quente no centro. “Nebulosas Planetárias” são denominadas pelo fato de apresentar uma forma arredondada quando observadas através de pequenos telescópios, mas nada tem a ver com planetas. Elas são conchas de gás emitidas pelas estrlas com massas semelhantes à do Sol, quando essas estrelas se encontram próximo do fim de suas vidas. A perda das camadas externas  da estrela para o espaço expõe o núcleo estelar quente, onde fortes rajadas de radiação ultravioleta causam a ejeção de gás que se torna fluorescente como uma nebulosa planetária. Os astrônomos fazem a previsão de que o Sol irá ejetar sua nebulosa planetária em aproximadamente 6 bilhões de anos. As observações do Hubble foram obtidas em 1998 usando para isso a Wide Field Planetary Camera 2 (WFPC2) por uma equipe de astrônomos liderada por Arsen Hajian do U.S. Naval Observatory em Washington, D.C. A equipe do Hubble Heritage, trabalhando no Space Telescope Science Institute em Baltimore, preparou essa imagem colorida combinando as imagens da WFPC 2 da equipe de Hajian feitas através de três diferentes filtros de cores que isolam gases nebulares em diferentes temperaturas. A nebulosa mostra algumas impressionantes e pouco entendidas feições. As regiões em azul marcam o gás brilhante a temperaturas mais quentes, que formam um anel circular grosseiro ao redor do remanescente estelar central. As cores Laranja e vermelho mostram a localização do gás mais frio. O gás frio tende a se localizar ao longo de correntes apontando para fora da estrela central e ao redor, parecendo como um anel na borda externa da nebulosa. A origem dessas nuvens mais frias dentro da nebulosa é ainda incerta, mas as correntes são uma evidência clara que suas formas são afetadas pela radiação e por ventos estelares a partir da estrela quente no centro. A temperatura da superfície da estrela é estimada em 140000 graus Celsius. Hajian e sua equipe observaram novamente a NGC 6751 em 2001 usando novamente a WFPC 2 do Hubble. Devido a expansão da nebulosa a uma velocidade de aproximadamente 40 quilômetros por segundo, a alta resolução do Hubble permitiu aos astrônomos observarem um aumento no tamanho da nebulosa desde 1998. Essas medidas permitiram aos astrônomos medirem com precisão a distância da NGC 6751. A distância da nebulosa é de 6500 anos-luz da Terra. O diâmetro da nebulosa é de 0.8 anos-luz, ou seja, aproximadamente 600 vezes maior que o nosso Sistema Solar.

Fonte:

http://www.nasaimages.org/luna/servlet/detail/NVA2~8~8~13049~113590:The-Glowing-Eye-of-NGC-6751?

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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