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25 de fevereiro de 2024

Novo Olhar Sobre o Arco da M81

Isso aconteceu a aproximadamente 200 milhões de anos atrás quando duas galáxias imensas a M81 e a M82 tiveram um contato imediato que deixou a M82 cambaleante com os fogos da formação extrema de estrelas. Como resultado disso restou um tênue filamento de gás chamado de Arco de Arp que apareceu para unir o vazio de 125000 anos-luz deixado entre o par de galáxias, porém com a ajuda da impressionante imagem aqui reproduzida da M81, feita pelo astrofotógrafo americano R. Jay GaBany, é possível mostrar que o Arco de Arp é na verdade um fino filamento de gás e poeira conhecido como cirros galáctico, flutuando acima da Via Láctea e sendo gentilmente iluminado pela luz da nossa galáxia.

Juntamente com uma equipe de astrônomos das universidades da Espanha e da Alemanha, Jay GaBany conseguiu obter essa maravilhosa imagem com uma exposição impressionante de 23 horas através do telescópio remotamente controlado de 0.5 metros de Ritchey-Chrétien e de uma câmera de 16 megapixel acoplada ao Observatório Blackbird no Novo México, EUA. Combinando seus dados ópticos com observações em infravermelho do Satélite de Astronomia Infravermelha (o qual detectou a primeira vez o cirros galáctico nos anos 1980 nos comprimentos de onda do infravermelho distante de 60 e 100 micra) e do Telescópio Espacial Spitzer, a equipe descobriu que o Arco de Arp compartilha muitas propriedades do cirros galáctico (nome dado devido a sua aparência semelhante as nuvens de mesmo nome) com emissões do infravermelho distante e a razão poeira/gás indica que essa estrutura é constituída primariamente de poeira fria (a radiação infravermelha é perfeita para destacar a emissão proveniente de objetos empoeirados). Todos os dados e as conclusões obtidas tiveram um forte suporte de imagens de um campo mais aberto feitas pelos astrofotógrafos Jordi Gallego da Espanha e Tony Hallas dos EUA onde claramente é possível observar os cirros. A equipe então concluiu que o Arco de Arp, descoberto pelo famoso astrônomo Halton Arp em 1965, localiza-se muito mais perto da M81, que é 12 milhões de anos-luz mais distante. Contudo o cirros galáctico pode ser algo opaco e pode mesmo ser um rastro resultante do encontro das galáxias como é sugerido pelas “bolhas azuis” – aglomerados massivos de estrelas jovens imageados pelo Telescópio Espacial Hubble e que aparece atrás do arco.

O Arco de Arp que somente aparece nas imagens mais profundas dessa região do céu, está localizado a 17 arcos de minuto a norte do centro da M81 e cobre uma área de 160 arcos de minuto ao quadrado. A linha de poeira incomum negra que aparece percorrendo o disco da M81 é na verdade a silueta das porções mais densas do arco em frente a M81. Essa linha de poeira só pode ser identificada em imagens amadoras da M81, então, por que você curioso e que esteja em uma posição privilegiada  não aponta seu telescópio para a direção da constelação da Ursa Maior e veja se consegue identificar o Arco de Arp e outras feições interessantes.

Aqueles que estejam interessados em conhecer o trabalho de Jay GaBany, pode acessar o seu site que é::

http://www.cosmotography.com/

Artigo explicando o Arco de Arp:

http://www.cosmotography.com/images/1004.1610v1.pdf

Fonte:

Revista Astronomy Now – Maio de 2010

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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