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NGC 6401: Um Enigmático Aglomerado Globular de Estrelas Imageado Pelo Hubble

O Telescópio Espacial Hubble das Agências Espaciais NASA e ESA usou seu poderio óptico para separar o aglomerado globular NGC 6401 em suas estrelas constituintes. O que era até então visto como uma mistura fantasma nas oculares dos instrumentos astronômicos se transformou agora com o auxílio do Hubble em uma maravilhosa paisagem estelar.

O NGC 6401 pode ser encontrado dentro da constelação de Ophiucus (O Serpentário). O aglomerado globular por si só é relativamente apagado, então um bom telescópio e alguma experiência observacional é necessária para conseguir observá-lo. Aglomerados globulares são coleções muito ricas e normalmente esféricas de estrelas, daí o nome. Eles orbitam o centro das galáxias, e é a força da gravidade que também mantém as estrelas unidas. Existem aproximadamente 160 aglomerados globulares associados com a nossa Via Láctea, dos quais o NGC 6401 é um. Esses objetos são muito velhos, contendo algumas das mais antigas estrelas conhecidas. Contudo, existem muitos mistérios ao seu redor, como a origem dos aglomerados globulares e seu papel dentro da evolução da galáxias, que não são muito bem compreendidos.

O famoso astrônomo William Herschel descobriu esse aglomerado em 1784 com o seu telescópio de 47 cm, mas ele acreditou erroneamente que se tratava de uma nebulosa. Mais tarde, o seu filho John Herschel cometeu o mesmo erro, evidentemente a tecnologia da época era insuficiente para permitir que as estrelas fossem identificadas individualmente.

O NGC 6401 tem confundido até mesmo astrônomos mais modernos. Em 1977 acreditava-se que uma estrela de pouca massa existia no aglomerado e que estivesse expelindo suas camadas externas, um objeto conhecido como nebulosa planetária. Contudo, um estudo posterior dos anos de 1990 concluiu que o objeto era de fato uma estrela simbiótica: uma estrela binária composta de uma gigante vermelha e de uma pequena estrela quente, uma anã branca com uma nebulosidade ao redor. Pode-se considerar que o estudo feito em 1977 estava anos na frente, pois estrelas simbióticas, acredita-se que se tornarão um tipo de nebulosa planetária com o passar do tempo.

Essa imagem foi criada a partir de imagens feitas com o Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys do Hubble. As imagens feitas através do filtro amarelo-laranja (F606W) foram coloridas em azul, e foram combinadas com as imagens feitas através do filtro do infravermelho próximo (F814W) que foram coloridas em vermelho. O tempo de exposição total foi de 680s e 580s respectivamente e o campo de visão é de 3.3 x 1.5 arcos de minuto.

Fonte:

http://www.spacetelescope.org/images/potw1131a/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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