NASA Consegue Rastrear Um Pequeno Asteroide de 5 Metros Antes E Durante Sua Colisão Com a Atmosfera

Quando o detector de raios de um satélite meteorológico do NOAA detectou algo que não era um raio, um cientista no Center for Near Earth Object Studies, no Jet Propulsion Laboratory da NASA em Pasadena, na Califórnia, começou a fazer um trabalho de detetive.

Poderia um pequeno objeto que se rompeu na atmosfera  num flash brilhante estar conectado com o alerta automático da potencial descoberta de um asteroide próximo da Terra? Embora bem abaixo do tamanho que a NASA está trabalhando em detectar e rastrear, o evento apresentou uma oportunidade ideal para a equipe de defesa planetária da NASA testar suas partes do sistema de alerta.

O resultado? O fluxo de dados de alerta funcionou, e a o culpado foi identificado. Ele era um asteroide. Agora, designado de 2019 MO, o asteroide tinha somente 5 metros de diâmetro e foi detectado às 6:45, hora de Brasília, do sábado, dia 22 de Junho de 2019, pelo telescópio de busca ATLAS da Universidade do Havaí em Maunaloa.

Quando foi detectado pela primeira vez, o 2019 MO estava a cerca de 500 mil quilômetros de distância da Terra, muito além da órbita da Lua.

As quatro observações iniciais feitas pelo ATLAS foram submetidas para o Minor Planet Center financiado pela NASA e imediatamente foi acessado pelo software de análise de impacto, o Scout, no JPL. O Scout identificou um possível impacto. As observações foram escassas para fornecer uma certeza, mas mostravam que o tamanho do objeto era bem reduzido para causar alguma preocupação.

“Asteroides desse tamanho são bem menores do que nós estamos rastreando”, disse Davide Farnocchia, um cientistas no Center for Near Earth Object Studies, que opera o Scout. “Eles são muito pequenos, eles não sobreviveriam à queima na atmosfera e não causariam nenhum dano na superfície da Terra. Mas esse evento mostra a capacidade dos nossos programas de pesquisa, mesmo para objetos assim tão pequenos”.

O Scout trabalha processando as medidas da posição no céu para cada potencial novo asteroide e rapidamente calcula o movimento futuro do objeto mesmo antes das descobertas desses objetos serem confirmadas.

O mistério estava perto de ser solucionado no início da noite do dia 22 de Junho de 2019, quando um satélite meteorológico do NOAA-NASa, o GOES-16, que carrega um instrumento chamado de Geostationary Lightning Mapper reportou  o possível bólido, um clarão brilhante do impacto de um asteroide na atmosfera da Terra, sobre o Mar do Caribe. Farnocchia, do JPL, reconheceu que o objeto indicado pelo Scout mais cedo naquele mesmo dia, poderia ter causado esse bólido, e então foi atrás dos dados. Ele calculou uma trajetória viável que se ajustava com as coordenadas tanto do clarão capturado pelo GOES como pelas observações feitas pelo ATLAS, 12 horas antes.

Farnocchia notou que os dados desse pequeno e novo asteroide não eram conclusivos. O corpo tinha sido detectado somente 4 vezes em menos de meia hora, o que não era informação suficiente para determinar exatamente de onde o objeto vinha ou onde ele tinha ido.

Por sorte, o telescópio de pesquisa da NASa, o Pan-STARRS 2, em Maui fez imagens da parte do céu onde o pequeno asteroide poderia estar visível algumas horas antes das observações do ATLAS. Usando a órbita potencial que Farnocchia tinha calculado, os cientistas do Pan-STARRS 2, Robert Weryk e Mark Huber, ambos do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, e Marco Micheli na Agência Espacial Europeia localizaram o asteroide em imagens que tinham sido feitas antes das observações do ATLAS.

Com essas observações adicionais, uma trajetória mais precisa para asteroide foi calculada e o mistério resolvido. O objeto que impactou a atmosfera sobre o Mar do Caribe era mesmo o asteroide detectado pelo ATLAS, apenas 12 horas antes de ter sido anotado pelo Scout como um possível objeto que iria impactar a Terra.

O impacto do asteroide 2019 MO foi agora confirmado por sensores internacionais de infrasom e por outros sensores do governo norte-americano e então adicionado no mapa de bólidos do CNEOS.

O JPL abriga o Center for Near-Earth Object Studies (CNEOS) para o Near-Earth Object Observations Program da NASA, no Planetary Defense Coodination Office da NASA.

Mais informações sobre o CNEOS, asteroides e near-Earth Objects podem ser encontradas em:

https://cneos.jpl.nasa.gov

Para mais informações sobre o Planetary Defense Coodination Office da NASA, visite:

https://www.nasa.gov/planetarydefense

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Fonte:

https://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?feature=7438

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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