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Mistérios Sobre as Dunas de Titã Resolvidos

Mudanças sazonais que de tempos em tempos revertem os padrões de vento na lua Titã de Saturno explicam a orientação dos campos de dunas do satélite.

As dunas em Titã estão localizadas dentro de uma faixa de 30 graus do equador, e possuem aproximadamente um quilômetro de largura por centenas de quilômetros de comprimento e em alguns casos chegam a ter 100 metros de altura. Dados coletados pela sonda Huygens da Agência Espacial Européia à medida que fez sua descida na espessa atmosfera de Titã em 2005, combinados com os princípios básicos da circulação atmosférica, sugerem que os ventos na superfície normalmente sopram de leste para oeste ao redor do equador do satélite. contudo, essa premissa contradiz as primeiras imagens das dunas de Titã, a orientação delas implica que os ventos dominantes deveriam soprar de oeste para leste.

O radar da sonda Cassini observa as dunas na lua gigante de Saturno Titã (imagem superior) que são parecidas com as dunas do deserto da Namíbia na Terra (imagem inferior). As feições brilhantes na imagem de radar não são nuvens, mas sim feições topográficas entre as dunas.

A resposta para esse paradoxo parece estar nas mudanças sazonais que afetam o satélite. Tetsuya Tokano da University of Cologne na Alemanha relatou em um recente artigo publicado na revista especializada Aeolian Research que rajadas de vento, persistem não mais do que dois anos varrendo a superfície da lua de oeste para leste, com muito mais intensidade do que a direção do vento que seria considerada normal.

“Foi difícil acreditar que existiriam ventos permanentes de oeste para leste como sugerem as aparências das dunas”, diz Tokano. “O dramático vento reverso típico de clima de monções ao redor do equinócio pode ser a chave para esse mistério”.

Tokano, chegou a essa conclusão analisando novamente um modelo de simulação computacional para a circulação atmosférica global de Titã e adicionou a esse modelo dados sobre a topografia do satélite baseados nas informações coletadas pela Cassini. Além de se focar nos padrões médios de vento ele estudou as variações dos padrões de ventos em pontos específicos. Equinócios que acontecem duas vezes em um ano de Titã (equivalente a 29 anos terrestres), parecem conter o que era até então o elo perdido. Durante esse período, o Sol brilha diretamente sobre o equador aquecendo e misturando a atmosfera que então reverte a direção dos ventos e os acelera. Um efeito similar é observado sobre o Oceano Índico na Terra, durante a transição das estações de monções.

Em Titã, os ventos reversos correm na superfície da lua a uma velocidade entre 1 e 1.8 metros por segundo, muito mais rápido do que os ventos que sopram de leste para oeste. “Essa é uma descoberta sutil, somente depois de termos alimentado o modelo com as estatísticas sobre o vento foi possível resolver esse paradoxo”, disse Ralph Lorenz, membro da equipe da Cassini que trabalha com os radares da sonda. “Esse trabalho está também preparando o terreno para futuras missões em Titã, pois com isso podemos ter uma melhor previsão dos ventos, intensidade e direção e então definir melhor locais de pousos de balões e sondas”.

Fonte:

http://www.astronomynow.com/news/n1007/30titan/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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