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27 de fevereiro de 2024

Messier 89 – A Galáxia Perfeitamente Esférica

Essa enorme bola de estrelas, cerca de 100 bilhões no total, é uma galáxia elíptica, localizada a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância da Terra. Ela é conhecida como Messier 89. Essa galáxia parece ser perfeitamente esférica, o que é na verdade, incomum para as galáxias elípticas, que normalmente são elipsoides alongados. A aparente natureza esférica da Messier 89 poderia, contudo, ser um truque de perspectiva, e ser causada pela sua orientação com relação a Terra.

A Messier 89 é ligeiramente menor do que a Via Láctea, mas tem algumas feições interessantes, que se esticam pelo espaço a sua volta. Uma estrutura de gás e poeira, estende cerca de 150 mil anos-luz além do centro da galáxia, que é conhecido por abrigar um buraco negro supermassivo. Jatos de partículas aquecidas atingem 100 mil anos-luz além da galáxia, sugerindo que a Messier 89 já foi muito mais ativa, talvez tenha sido um quasar, ou uma rádio galáxia, do que é hoje. Ela também é circundada por um extenso sistema de conchas e plumas, que podem ter sido gerados por fusões passadas com galáxias menores, isso implica que a Messier 89 como nós conhecemos pode ter se formado num passado recente.

A Messier 89 foi descoberta pelo astrônomo Charles Messier em 1781, quando Messier estava catalogando objetos astronômicos por 23 anos, desde o dia em que ele confundiu um objeto fraco no céu com o cometa Halley. Após uma inspeção mais detalhada ele percebeu que o objeto era na verdade, a Nebulosa do Caranguejo. Para evitar que outros astrônomos cometessem o mesmo erro, ele decidiu catalogar todos os objetos brilhantes do céu profundo que pudessem ser confundidos com cometas. Essa observação metódica do céu levou ao primeiro catálogo compreensivo de objetos astronômicos, o chamado Catálogo Messier. O Messier 89 tem um recorde de ser a última elíptica gigante encontrada por Messier e galáxias mais perfeitamente esférica de todo o catálogo com 110 objetos.

Credit:

ESA/Hubble & NASA, S. Faber et al.

Fonte:

https://spacetelescope.org/images/potw1902a/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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