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23 de fevereiro de 2024

Mais Um Estudo Sobre a Idade das Crateras na Lua


A Lua se formou a 4.5 bilhões de anos atrás durante um curto período de crescimento intenso dos impactos. Altas taxas de impactos continuaram altas por meio bilhão de anos, e então foram diminuindo, tornando-se constante nos últimos 3 bilhões de anos. Uma grande controvérsia nos últimos 25 anos tem sido se essa é a história completa ou se existiu um intenso, porém breve período de formação de crateras cataclísmicas mais ou menos a 3.9 bilhões de anos atrás, durante o período onde as bacias e as grandes crateras se formaram. Essa ideia se desenvolveu a partir de datações radiométricas feitas do material derretido por impacto e outras amostras coletadas pela missão Apollo que concentram as idades em 3.9 bilhões de anos. Grande parte dos cientistas que estudam a Lua parecem aceitar esse período denominado de Late Heavy Bombardment, ou LHB, mas um artigo que será apresentado em breve em um evento e que você encontra no final desse post está questionando essa hipótese. Gerhard Neukum e seus colegas olharam a distribuição das idades das amostras da Apollo e dos meteoritos lunares, pedaços da Lua que foram ejetados do satélite e viajaram até a Terra. Eles observaram o agrupamento das idades perto de 3.9 bilhões de anos, mas também descobriram a evidência para um período anterior de impactos. As amostras da Apollo 14 e da Apollo 15 tem um forte pico em 3.9, e essas missões exploraram o material ejetado pela formação do Imbrium. As missões Apollo 16 e Apollo 17 foram um pouco além do Imbrium mas as suas rochas também apresentam um pico em 3.9 bilhões de anos, mas também apresentam grandes eventos em 4.1 e 4.2 bilhões de anos. Os meteoritos lunares, que são amostras mais espalhadas do que as da missão Apollo, não possuem um pico em 3.9 bilhões de anos, mas mostram que grandes eventos de impacto, ou seja, os responsáveis pela formação das grandes crateras, aconteceram antes e depois desse período. Esse artigo e outros do mesmo evento apoiam a ideia de que todos os locais de pouso da Apollo e as amostras foram altamente contaminadas pelo material ejetado da Imbrium, responsáveis pelo pico em 3.9 bilhões de anos. Talvez não tenha existido um LHB. Para confirmar isso só com amostras coletadas longe do Imbrium, de preferencia do lado oposto, mas para isso, só contando com a sorte de um meteorito lunar vir dessa região, ou mandando exploradores para esses novos destinos na Lua.

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Fonte:

https://lpod.wikispaces.com/December+13%2C+2011


Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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