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Mais Detalhes Sobre a Labareda de Classe X6.9 Emitida Pelo Sol e Um Guia Sobre a Classificação Desses Fenômenos Solares

Na manhã do dia 9 de Agosto de 2011, às 4:48, hora de Brasília, o Sol emitiu uma labareda classificada como X6.9 na direção da Terra, como medida pelo satélite GOES do NOAA. A imagem acima feita com dados da sonda SDO mostra a violência dessa erupção, que como pode ser vista ocorreu na direção da Terra, mas bem próximo do limbo do Sol. Já pela manhã o CIENCTEC havia divulgado essa notícia (http://cienctec.com.br/wordpress/?p=16482), mas com o passar do dia, com o processamento dos dados, novas imagens e vídeos foram sendo divulgados e resolvemos colocar outro post a respeito dessa labareda e seus efeitos na Terra.

A labareda X7, entrou em erupção numa região particularmente ativa do Sol conhecida como região 1263. As labaredas da classe X são as mais fortes emitidas pelo Sol, com as de classe C e M sendo mais labaredas mais fracas e de intensidade mediana. A atmosfera da Terra tem sido atingida por uma série de labaredas da classe M provenientes da região de manchas solares 1263 e 1261, fazendo com que o NOAA, ou a National Oceanic and Atmospheric Administration envie alertas para as operações com satélite e para as companhias de energia ao redor da Terra.

Essa explosão de radiação, embora gigantesca não pode passar pela atmosfera da Terra e queimar os seres humanos na superfície do planeta, mas elas podem perturbar a atmosfera e com isso perturbar os sinais de GPS e de comunicação. Nesse caso específico a explosão parece ter sido tão forte que estão esperando blackouts na comunicação via rádio pela Terra. Essa explosão produz também um aumento na radiação de próton energético solar, o suficiente para afetar os humanos no espaço se eles não estiverem corretamente protegidos.

Juntamente com essa explosão ocorreu também outro fenômeno solar conhecido como ejeção de massa coronal, ou CME. As CMEs podem mandar partículas do Sol no espaço e são essas partículas as responsáveis pela maior parte dos distúrbios no nosso planeta. Contudo, essa CME não está viajando em direção à Terra e não deve nos afetar de forma decisiva. De acordo como Tony Philips do site SpaceWeather.com, existe uma tempestade menor de prótons em progresso, isso é, prótons de alta energia voando nas vizinhanças da magnetosfera da Terra, que tem potencial para causar algum estrado. Em casos extremos a radiação de raios-X pode causar ondas de ionização nas ionosfera da Terra, bloqueando as transmissões globais de VLF e HF nas frequências de rádio.

As labaredas acontecem no Sol quando poderosos campos magnéticos no Sol e ao redor dele se reconectam. Elas são normalmente associadas com regiões ativas, as vezes vistas como manchas solares, onde os campos magnéticos são fortes. As labaredas são classificadas de acordo com sua intensidade. As mais fracas são as de classe B, seguidas pelas classes C, M e X que são as mais intensas. Similar à escala Richter dos terremotos, cada letra representa um aumento em potencia de dez da energia da letra anterior. Assim, a classe X é 10 vezes maior que a de classe M e 100 vezes maior que a de classe C.

Dentro de cada letra, as labaredas ainda possuem uma escala que vai de 1 a 9. As labaredas da classe C são muito fracas para serem notadas da Terra. As de classe M podem causar breves blackouts na comunicação via rádio nos polos e pequenas tempestades radioativas que podem atrapalhar os astronautas. Embora as labaredas de classe X sejam as últimas na classificação, existem labaredas que são 10 vezes mais intensas que uma X1, então a classe X pode ir além de 9 na sua classificação interna. A labareda mais poderosa foi registrada em 2003, durante o último período de atividade máxima do Sol. Ela foi tão poderosa que saturou os sensores que faziam as medições. Eles cortaram em uma leitura incrível X28. Uma poderosa labareda de classe X como essa pode criar longas tempestades de radiação, que podem atingir satélites e até mesmo passageiros em aviões pelo mundo, voando próximo dos polos. As labaredas de classe X tem potencial de criar problemas globais de comunicação e blackouts mundiais.

Fonte:

http://news.discovery.com/space/big-pic-sun-explodes-x-class-flare-110809.html#mkcpgn=twnws1

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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