Lendo as Cores na Cratera Tycho da Lua

Essa imagem da região da cratera Tycho na Lua, foi construída através da integração de três dados, um mosaico feito pela câmera WAC da sonda LRO, uma imagem estereográfica colorida da sonda LRO de onde se obteve a informação topográfica e um conjunto de dados com a nomenclatura das crateras na Lua. Porém é fácil notar na imagem acima, que alguma dessas informações usadas está desatualizada, mas qual seria? É possível notar que os pontos que marcam o centro da cratera Tycho e alguns outros pontos de algumas crateras na imagem não estão no centro da cratera. isso nos leva a supor então que ou as coordenadas registradas para a identificação do centro das crateras estão sistematicamente erradas, ou o sistema de coordenadas usado para compor o mosaico e a topografia é diferente daquele usado para se colocar a nomenclatura. A última hipótese provavelmente é a mais certa, pois os novos produtos da sonda LRO, estrão usando uma nova rede de controle de posição desenvolvida a partir das medidas feitas pela sonda LRO, enquanto que a nomenclatura das crateras na Lua originalmente se derivou de uma rede de controle baseada em imagens telescópicas e por isso não é tão precisa. O grupo de nomenclatura da IAU no US Geological survey em Flagstaff está atualizando as coordenadas daquelas feições que possuem nome na Lua. Um mapa como esse é uma importante ferramenta que pode ser usada para identificar quais as feições precisam ser corrigidas. Quanto as cores na imagem, infelizmente não existe uma escala que nos diga a que elevação corresponde cada cor, mas existem características interessantes que podem ser notadas e discutidas mesmo sem essa escala.  A região mais alta na imagem é mostrada na cor marrom, e pode-se ver que essa cor domina praticamente todo o anel ao redor da cratera Tycho, mostrando que essa escarpa em toda essa extensão tem praticamente a mesma altura. Porém algumas diferenças importantes podem ser observadas. No lado oeste, por exemplo, a transição entre as cores verde e marrom é maior sugerindo que o anel desse lado seja menor. Essa observação é consistente com as pequenas valas que são observadas cortando a parede oeste e com a área mais vastas de detritos no interior da cratera desse lado. Aparentemente, o anel, originalmente mais alto no lado oeste colapsou, levando junto pedaços da sua estrutura original e criando assim um campo de detritos maior. Para se testar a habilidade de reconhecer feições na Lua, será que nós seríamos capazes de adivinhar que o anel oeste da cratera Tycho na Lua é mais baixo do que a porção no lado leste sem essa informação topográfica, mesmo não acompanhada de uma escala apropriada?

Fonte:

https://lpod.wikispaces.com/June+18%2C+2011

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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