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Interferômetro do VLT, o VLTI, Vai Mais Fundo no Estudo dos Segredos do Universo

Nas noites entre 15 e 17 de Maio de 2011, os astrônomos aplicaram com sucesso uma nova técnica de observação no Very Large Telescope Interferometer (VLTI) do ESO. O novo procedimento é chamado de “modo de observação sega” e permitirá observações interferométricas de alvos muitos apagados. Essa técnica já produziu observações detalhadas do espectro de um quasar 10 vezes  mais apagado do que os melhores resultados conhecidos atualmente. O resultado foi obtido combinando a luz de três Unit Telescopes de 8.2 metros do VLT no instrumento chamado de AMBER.

Essa nova técnica de observação foi desenvolvida por uma equipe de astrônomos liderada por Romain Petrov do Laboratoire Fizeau (Université de Nice, Observatoire de la Côte d’Azur and CNRS, na França), permite aos astrônomos observarem alvos que normalmente são muito apagados mesmo para serem detectados via a técnica de interferometria que já é uma técnica avançada de observação.

Os astrônomos usaram pela primeira vez a técnica de observação e o instrumento desenvolvido no VLTI observando uma estrela brilhante próxima de um alvo apagado, isso permitiu que eles pudessem calibrar o sistema de interferômetros da maneira correta. Quando feixes de luz de telescópios individuais são combinados com sucesso, um padrão característico das linhas brilhantes e escuras é visto, essas linhas são conhecidas como franjas. Então os astrônomos rapidamente se voltaram para a observação do alvo apagado, que eles dizem que é observado às cegas, pois suas franjas são muito apagadas para serem vistas. Contudo a equipe pode fazer suas observações, sabendo que o sistema de interferômetros se mantém corretamente calibrado com a observação realizada do objeto mais brilhante. Combinando múltiplas exposições aparentemente vazias do alvo apagado, suas franjas podem finalmente ser reveladas e estudadas.

O quasar 3C 273 – uma galáxia ativa com um buraco negro supermassivo em seu centro – foi o primeiro alvo observado com sucesso com esse novo procedimento. As observações da equipe permitiu que eles estudassem o tamanho, a estrutura e o movimento do material mais interno ao redor do buraco negro.

A nova técnica de observação cega do VLTI tem um enorme potencial e pelo fato de levar ao limite a capacidade atual dos interferômetros, no caso, para observar objetos muito apagados, espera-se que essa técnica revele um grande número de alvos anteriormente desconhecidos.

Fonte:

http://www.eso.org/public/announcements/ann11031/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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