Hubble Registra Uma Extraordinária Espiral Celeste

Essa imagem impressionante feita pela Advanced Camera for Surveys a bordo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra uma das mais perfeitas formas geométricas criadas no espaço. Essa imagem mostra a formação de uma incomum nebulosa pré-planetária, conhecida como IRAS 23166+1655, ao redor da estrela LL Pegasi (também conhecida como AFGL 3068) na constelação de Pegasus (o cavalo alado).


A imagem mostra o que parece ser um fino padrão espiral de um vento muito regular ao redor da estrela que não é visível por estar escondida atrás da espessa poeira. O padrão espiral sugere uma origem periódica e regular para a forma da nebulosa. O material que formou o espiral está se movendo para longe da estrela a uma velocidade de 50000 km/h e combinando essa velocidade com a distância entre as camadas espirais, os astrônomos calculam que as conchas foram formadas com um espaçamento de aproximadamente 800 anos.

A forma espiral nasce pois a LL Pegasi é um sistema binário, com a estrela que está perdendo material e uma companheira orbitando uma a outra. O espaçamento entre as camadas observado na espiral acredita-se que reflita diretamente o período orbital do sistema binário que deve então ser de aproximadamente 800 anos.

A criação e as formas existentes das nebulosas planetárias é uma interessante área da evolução estelar. Estrelas que possuem uma massa igual a metade da massa do Sol até estrelas que possuem 8 vezes a massa do Sol, não explodem como supernovas no final de suas vidas. Ao invés disso, um final mais real espera por elas à medida que as camadas externas de gás são ejetadas e começam a vagar pelo espaço, criando essas intrigantes estruturas que os observadores privilegiados na Terra enxergam como pinturas de aquarelas. A IRAS 23166+1655 está apenas começando esse processo e a estrela central tem ainda que emergir de seu casulo central.

Essa imagem foi criada a partir de imagens feitas com o Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys a bordo do Hubble. Imagens através do filtro amarelo, F606W coloridas em azul, foram combinadas  com imagens feitas através do filtro vermelho de infravermelho próximo, F804W, colorido em vermelho. O tempo de exposição foi de 11 minutos e de 22 minutos respectivamente e o campo de visão mede aproximadamente 80 arcos de segundo.

O artigo original que discute de maneira mais profunda essa questão pode ser encontrado aqui:

http://tecnoscience.squarespace.com/arquivo/extraordinaria-espiral-celeste/

Fonte:

http://www.spacetelescope.org/images/potw1020a/

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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