Gum 22: Imagem do WISE Mostra Regiões de Formação de Estrelas por Todo o Lado

Essa imagem feita pelo Wide-field Infrared Survey Explorer da NASA ou WISE, destaca algumas regiões de formação de estrelas. Existem cinco centros distintos de nascimento de estrelas somente nessa imagem. Nebulosas de formação de estrelas (chamadas de regiões HII pelos astrônomos) são nuvens de gás e poeira que tem sido aquecida por estrelas próximas recentemente formadas na mesma nuvem e que já apareceram em outras imagens do WISE.

A nuvem maior e mais brilhante, na parte superior direita é conhecida como Gum 22. Seu nome foi dado em homenagem ao astrônomo australiano Colin Gum que pesquisou o céu do hemisfério sul no começo dos anos de 1950 procurando por regiões de formação de estrelas como essa. Ele catalogou 85 novas regiões, que receberam o nome de Gum 1 até Gum 85, a cratera Gum na Lua também tem esse nome em homenagem ao astrônomo australiano.

Caminhando em sentido horário encontra-se a Gum 22, as outras nebulosas catalogadas na imagem são a Gum 23 (parte da mesma nuvem da Gum 22), a IRAS 09002-4732 (laranja, no centro da imagem), a Bran 226 (nuvem superior das duas outras inferiores) e finalmente a Gum 25 no canto esquerdo da imagem. Existem também outras pequenas e/ou mais distantes regiões dispersas através da imagem que já foram catalogadas. A maior parte das regiões acredita-se que sejam parte da braço espiral local de Orion. As distâncias variam entre 4000 e 10000 anos-luz.

É possível notar uma estrela verde muito brilhante próximo da parte inferior direita da imagem. Você pode dizer que é uma estrela pois ela aparece com os chamados spikes de difração . Estrelas brilhantes nas imagens do WISE normalmente são azuis, então você já sabe que essa é uma estrela especial. Conhecida como IRAS 08535-4724, ela é um tipo único de estrela gigante chamada de estrela de carbono. Estrelas de carbono são semelhantes às estrelas gigantes vermelhas, que são muito maiores que o Sol e possuem um brilho intenso no comprimentos de onda maiores e estão nos últimos estágios de suas vidas. Mas elas possuem uma incomum quantidade de carbono na sua atmosfera externa. Os astrônomos acreditam que esse carbono vem das correntes de convecção que agem profundamente no interior da estrela, ou de estrelas vizinhas próximas. Evidências recentes sugerem que uma estrela de carbono com essa terminará sua vida numa explosão extremamente poderosa chamada explosão de raios-gamma, que terá um brilho breve milhões de trilhões de vezes maior que o Sol.

As cores usadas na imagem representam comprimentos de onda específico da luz infravermelha. Azul e ciano representam a luz emitida nos comprimentos de onda de 3.4 e de 4.6 mícron, que é predominantemente emitido pelas estrelas. Verde e vermelho representam a luz de 12 e 22 mícron respectivamente que é na sua grande parte emitida pela poeira.

Fonte:

http://wise.ssl.berkeley.edu/gallery_GUM22.html

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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