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24 de fevereiro de 2024

Fumaça Sem Fogo: Diferentes Visões da M82 a Galáxia do Charuto


A imagem acima, mostra a visão mais detalhada até hoje já feita do núcleo da Messier 82 (M82) também conhecida como Galáxia do Charuto. Rica em poeira, estrelas jovens e gás brilhante, a M82 é ao mesmo tempo brilhante e localiza-se perto da Terra. A galáxia de explosão de estrelas está localizada a aproximadamente 12 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação da Ursa Major (O Grande Urso).

Essa não é a primeira vez que o Hubble faz uma imagem da Galáxia do Charuto. Imagens anteriores (como a imagem mostrada abaixo) mostravam uma galáxia em brasa com estrelas. Essa imagem é diferente pois observa a galáxia de maneira mais calma, dominada por gás brilhante e poeira com as estrelas quase invisíveis. Por que essa diferença?

A nova imagem é mais detalhada do que as imagens anteriores do Hubble, de fato ela é a imagem mais detalhada já feita dessa galáxia até hoje. Mas a razão da imagem parecer tão drasticamente diferente se deve à escolha feita pelos astrônomos quando eles planejaram a observação. As câmeras do Hubble não enxergam colorido, elas são sensíveis a um grande intervalo de comprimentos de onda mas somente observam o objeto em tons de cinzas. As imagens coloridas são construídas passando a luz do objeto por diferentes filtros coloridos e combinando as imagens resultantes, e é a escolha desses filtros que faz a grande diferença no resultado final.

Usando filtros que permitem bandas de cores relativamente largas, similares àquelas observadas por nossos olhos, os astrônomos constroem imagens com aparência natural de modo que as estrelas fiquem brilhantes, já que elas brilham através de praticamente todo o espectro.

Usando filtros transparentes que permitem a passagem somente de comprimentos de onda emitidos por elementos químicos específicos, como nessa imagem, é possível isolar a luz das nuvens de gás e bloquear a luz das estrelas. Isso explica por que as estrelas aparecem apagadas nessa imagem da M82 e por que as linhas de poeira tem uma silhueta tão bem definida contra as nuvens brilhantes de gás.

A imagem da M82 mostra a luz emitida pelo enxofre (em vermelho), a luz visível e a luz ultravioleta do oxigênio (em verde e azul respectivamente) e a luz do hidrogênio em ciano. O campo de visão dessa imagem é de aproximadamente 2.7 por 2.7 arcos de minutos.

Fonte:

http://www.spacetelescope.org/images/potw1201a/


Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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