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Fluxo identificado na Cratera Stevinus na Lua Pode ser Seco ou Líquído

A cratera Stevinus A (31.75?S, 51.55?E), na Lua, é uma cratera com 8 km de diâmetro com paredes muito suaves e com albedo bem alto e com listras de baixo albedo. O material que causa o alto albedo e que compõe as paredes da cratera pode ter sido algum dia um material derretido por impacto que foi erodido com o passar do tempo à medida que o bombardeamento da Lua por micrometeoritos promovem a formação do regolito. Algumas vezes, as crateras com paredes suaves são observadas pois são velhas o bastante ( com idade Eratosteniana, onde seus raios de ejeção foram apagados), para ter desenvolvido uma camada de regolito que cobre o interior da cratera e obscurece as variações morfológicas de pequena escala. Contudo a Stevinus A é bem jovem e somente recentemente começou a acumular uma fina camada de regolito pois existem distintas bordas observadas (os pedaços de rocha na imagem acima) bem como rastros de pedaços de rochas (também observados na imagem acima).

A cratera Stevinus A é o lar de muitas feições únicas, mas os fluxos de baixo albedo identificados na crateras são marcantes. Será que foram materiais derretidos por impacto que fluíram nas paredes da cratera em direção ao seu interior? Ou será que são fluxos compostos por detritos secos e granulares que agiram como um fluido quando as partículas foram mobilizadas, talvez por uma onda sísmica gerada por impacto próximo? Mais ainda, por que essas listras são compostas de material de tão baixa refletância enquanto o resto da cratera tem um albedo mais alto?

Na imagem acima e em qualquer lugar do par de imagens feita pela câmera NAC da sonda LRO, aparecem dois tipos de materiais com albedos diferentes. Um tipo contém rochas discerníveis, dispersas ao longo de seções da parede da cratera. O outro tipo parece mais suave e ocorre em fluxos entrelaçados e cortam o outro material. Embora numa primeira olhada essas listras entrelaçadas pareçam ser fluxos de material derretido por impacto, uma observação mais cuidados sugere que eles são provavelmente o resultado de fluxo de detritos secos de material fino. Fluxos granulares não são comuns na Lua, especialmente em taludes íngremes  como nas paredes de crateras, onde o talude é maior que 20?. Fluxos granulares também são observados em Marte e mesmo no asteroide Eros. Além disso, a natureza entrelaçada desses fluxos sugere sucessivos períodos deposicionais. Se essas listras são compostas de material seco, sucessivos eventos deposicionais podem ter sido disparados pela perturbação de um pedaço de rocha que rebateu na base do talude, e na imagem existe a evidência de pelo menos um pdeço de rocha rebatido.

Essas observações são consistentes com um fluxo seco e granular de elevações mais altas na parede da cratera Stevinus A em direção ao interior da cratera. Contudo, existe um material derretido por impacto no interior da cratera, junto com detritos rochosos e blocados observados em outro par de imagens da cratera Stevinus A. Assim, para ajudar numa interpretação definitiva dessas listras de baixo albedo viajando para baixo nas paredes da cratera, um par de imagens estereográficas permitiram aos cientistas que trabalham com a sonda LRO medirem o talude das paredes das crateras.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/386-Dry-debris-or-liquid-flow.html

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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