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Estudo Com a Sonda LRO da NASA Identifica Vulcanismo Em Uma Região do Lado Escuro da Lua

Embora os domos presentes na área das crateras Compton-Belkovich sejam arredondados e suaves (exceto por alguns pedaços de rochas distribuídos no cume), eles não são fáceis de serem registrados. Durante o nascer e o pôr-do-Sol mesmo as topografias suaves geram longas sombras, como mostram as imagens acima e abaixo. Nesse caso o Sol está a 13? acima do horizonte, mostrando que os taludes dos domos são mais íngremes que 13?, isso é uma importante pista para revelar sua origem. Quanto mais íngreme o talude significa que mais viscoso era o magma que o formou o que nos leva a presumir que existia nesse magma mais sílica.

Você está tendo problema em observar a feição como um domo, ou seja, algo com um relevo positivo? Considere então a imagem abaixo que mostra uma visão mais ampla da região que inclui uma pequena cratera um pouco a leste do domo. O Sol está iluminando essa cena da esquerda. Algumas vezes nosso cérebro fica perdido, você vê algo para cima como se estivesse para baixo. Se você sabe a direção do Sol você pode forçar para que o que você para cima fique para baixo e vice e versa. E o que dizer sobre a pequena cratera no topo do domo? Ela é uma fonte vulcânica, ou uma cratera de impacto? Se você disse cratera de impacto, acertou. O topo do domo está na verdade aproximadamente 100 metros ao sul da pequena cratera. A cratera apenas está localizada próxima do topo do domo.

O complexo vulcânico de Compton-Belkovich é facilmente notado como uma área relativamente brilhante no centro esquerdo da imagem abaixo, cobrindo uma área de 35 km de diâmetro. Para questões de escala, a distância entre as linhas de longitude é de aproximadamente 15 km.

A região de Compton-Belcovich despertou interesse mesmo antes da missão da sonda LRO começar. Em 1998 com a sonda Lunar Prospector, o seu espectrômetro de raios-gama, mediu a distribuição global do elemento tório, que tem um forte pico no espectro de raio-gama devido a sua radioatividade natural. Embora, a maior parte do tório na Lua, pelo menos aquele que está na superfície, localiza-se na sua maior parte no lado visível da Lua, um terreno entre as crateras Compton e a Belkovich acendeu a anomalia mostrada na imagem abaixo. Por essa razão o local foi selecionado como um dos locais do Projeto Constellation da NASA, devido ao seu alto interesse para futura exploração humana e robótica da Lua.

Essa anomalia de tório foi descrita por David Lawrence e pela equipe da sonda Lunar Prospector e mais tarde Jeff Gillis e seus colegas notaram observando as imagens da Clementine que uma feição de alto albedo estava localizada perto do centro da anomalia de tório. Contudo, desde então, a origem da anomalia e a natureza dos depósitos não eram conhecidas até que a sonda LRO fizesse imagens do local com a câmera NAC. Essas imagens revelaram então numerosas feições vulcânicas, algumas grandes e algumas pequenas, como o pequeno domo visto no começo desse post. Entre os dados de geoquímica da Lunar Prospector e da Diviner e com as imagens da LROC os cientistas foram capazes de determinar que esses domos são exemplos de vulcanismo de sílica, ou seja, material contendo mais sílica que o basalto. Uma impressionante descoberta, o único vulcanismo de sílica do lado oculto da Lua. Você pode ler o artigo abaixo publicado na revista Nature Geoscience onde a pesquisa é descrita em detalhes.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/426-Farside-Highlands-Volcanism!.html

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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