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ESA Testa a Capacidade de Se Controlar de Forma Remota Um Rover Em Tempo Real

Existem outras situações na vida, além da pandemia que é necessário trabalhar de forma remota. Operadores de sondas espaciais são forçados a fazer a maior parte do seu trabalho de forma remota enquanto que seus equipamentos viajam através do Sistema Solar. Algumas vezes, as sondas viajam perto da nossa casa, a Terra, tem vezes que os equipamentos estão ainda mais próximos. Engenheiros na DLR, a Agência Espacial Alemã, recentemente levaram o conceito de trabalho remoto a outro nível, quando eles operaram um rover localizado em um outro país, a quase 700 quilômetros de distância, enquanto trabalhavam remotamente de seus escritórios.

O rover, conhecido como Interact, estava localizado no European Space Research Technology Center, no coração técnico das operações da ESA, em Noordwijk, na Holanda. Os operadores do Interact estavam localizados no Institute for Robotics and Mechatronics da DLR, perto de Munique, na Alemanha. Como acontece com quase todas as missões espaciais, os operadores não operam sozinhos. Eles têm o suporte de um “centro de controle de missão”, localizado no European Space Operations Center da ESA em Darmstadt.

O Interact é uma ferramenta que está sendo usada para testar como as operações remotas podem ser possíveis para futuros rovers da ESA que estarão trabalhando na Lua. Qualquer futuro rover lunar poderia ser potencialmente controlado por operadores localizados na estação lunar Gateway, ou em qualquer outro tipo de estação espacial.

Qualquer operação remota fora da órbita da Terra, provavelmente não precisaria lidar com o impacto, por exemplo, de uma pandemia. Mas, infelizmente, o Interact, está aqui na Terra, isso significa que ele também está susceptível aos problemas causados pela COVID-19. Originalmente, a equipe da ESA que trabalha com o Interact estava planejando uma excursão até o Monte Etna, um vulcão ativo na Itália, um lugar que tem uma geografia parecida com a Lua. Devido às restrições de viagem causadas pela pandemia, a equipe teve que adaptar essa atividade.

A adaptação consistiu em redefinir um teste operacional remoto. Ao invés de se operar o robô remotamente nos taludes do Monte Etna, a ESA e seus colaboradores no DLR, poderiam colocar o robô onde eles quisessem para então realizar a operação remota. E só para adicionar um desafio a mais, eles também adicionaram outro robô ao teste.

Um robô menor, baseado na Alemanha, foi interligado via rede com o Interact, numa tentativa de manter os dois robôs coordenados enquanto eles eram operados num ambiente remoto. Mesmo, apesar deles não estarem fisicamente próximos um do outro, a operação lógica, foi toda pensada como se eles estivessem.

Toda essa operação remota realizada com sucesso é parte de um esforço que atualmente existe para expandir a capacidade dos seres humanos de interagir com os robôs. O programa chamado Meteron, que significa, Multi-purpose End-to-End Robotic Operation Network é mantido pelo Human Robotic Interaction Laboratory, o HRI da ESA.

A equipe do HRI ainda está tentando lidar com os aspectos mais difíceis  do controle remoto de robôs, incluindo o lag que se tem entre a comunicação e também o problema de feedback. Apesar das operações ocorrerem praticamente em tempo real, existe um lag de comunicação quando um operador está controlando um objeto localizado a centenas ou a milhares de quilômetros de distância. A maneira com a qual os operadores lidam com esse lag é algo que está sendo estudado pela equipe do HRI e os testes como esse realizado com o Interact, são fundamentais para resolver essas questões.

Outra dificuldade na operação remota é como transmitir o sentido de tato do robô. O feedback tátil, como aquele que é esperado sentir quando um braço robótico toca o solo, teve início num campo diferente, os games. Controles avançados de jogos são capazes de transmitir o sentido do tato para um operador, e a equipe do HRI tem implementado essas respostas de feedback ao sistema de controle do Interact.

Essas melhorias ao Interact seguem certos marcos de sucesso para esse robô que é uma prova de conceito. Em 2019, por exemplo, os astronautas a bordo da ISS controlaram o Interact de forma remota, e assim vai, cada pequeno desenvolvimento e aperfeiçoamento é um grande passo para esse controle remoto.

A ESA ainda pretende fazer o teste com o Interact no Monte Etna, no próximo ano. Se tudo correr como planejado, logo, logo, os astronautas estarão controlando robôs a distância, não aqui na Terra, mas sim, na superfície da Lua.

Fonte:

https://www.universetoday.com/148377/operating-a-rover-in-real-time-from-a-distance/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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