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Dilema Sobre a Origem das Colinas no Interior da Cratera Humboldt na Lua

Ao observar a Lua às 5:30 da manhã do sábado dia 16 de Julho de 2011, o experiente astrônomo Chuck Wood notou uma longa cratera no terminador da Lua. O que o intrigou mesmo foi uma montanha massiva central surgindo à medida que o Sol se punha enquanto que o resto da cratera, exceto as cristas do seu anel estavam cobertas pelas sombras. Outro fato intrigante sobre essa montanha massiva central é que a mesma não estava centrada, ela se estendia a uma considerável distância para o norte. Pelo tamanho e pela posição ele sabia que a cratera era a Humboldt, mas não sabia porque o pico central estava tão afastado do centro da cratera. Felizmente, outro experiente astrônomo e também experiente estudioso da Lua, Maurice Collins registrou uma imagem (mostrada à esquerda), no início do mesmo dia, desse modo, essa imagem pôde confirmar as observações iniciais. As duas imagens eram bem semelhantes pois os dois pesquisadores usaram instrumentos semelhantes e de mesmo diâmetro 3”. Pesquisando em um banco de dados pôde-se encontrar a imagem mostrada à direita e assim pôde-se ver que a cratera Humboldt tem uma longa cadeia linear além de um pico central. A imagem abaixo mostra uma fotografia clássica da Apollo 15 que mostra o pico central da cratera e a linha de colinas. A questão que se pode colocar aqui então é, qual é a origem dessas colinas? Uma visão vertical obtida pela sonda LRO também mostrada abaixo, apresenta marcas longas de material ejetado para NE, na mesma direção da cadeia de colinas. Talvez, a cratera Humboldt se formou por meio de um impacto oblíquo de baixo ângulo, criando assim uma cadeia central, como a encontrada na cratera Schiller. Porém a Schiller é uma cratera muito mais alongada que a Humboldt. A massa principal de material derretido por impacto está para SE, indicando que essa possa ter sido a direção do impacto. E a cadeia de colinas marca a fronteira entre a parte plana do interior e a parte coberta por colinas. Essas pistas parecem suficientes para sugerir uma origem para a linha de colinas observada na cratera Humboldt, mas é necessário um tempo maior para se analisar e entender completamente essas informações.

Cratera Humboldt fotografada pela sonda LRO.
Cratera Humboldt fotografada pela missão Apollo 15.

Fonte:

https://lpod.wikispaces.com/July+17%2C+2011

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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