Confirmado: A Sonda Hayabusa Trouxe Para a Terra Amostras do Asteroide Itokawa

A Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa JAXA, disse na terça-feira, dia 16 de Novembro de 2010 que está confirmado que as partículas retiradas da sonda espacial Hayabusa que passou sete anos no espaço, são do asteroide Itokawa.

A agência JAXA disse que 1500 partículas estão sendo analisadas usando um microscópio de elétrons e que elas são totalmente diferentes das substâncias encontradas na Terra. As partículas medem somente 10 micrômetros de diâmetro.

A sonda Hayabusa é a primeira sonda a pousar em um objeto celeste que não seja a Lua e retornar para a Terra com amostras desse objeto.

A agência japonesa pretende examinar essas partículas em cooperação com cientistas de todo o país, com a esperança de encontrar novas informações sobre a origem do sistema solar. Isso é possível pois asteroides como o Itokawa manteve a sua forma e a sua composição original desde a formação do nosso sistema há 4.6 bilhões de anos atrás.

A sonda Hayabusa foi lançada em 2003. Ela chegou ao asteroide em 2005 e fez dois pousos em Novembro desse mesmo ano. A sonda teve problemas de vazamento de combustível e perdeu o contato com a Terra por sete semanas antes de retornar para a Terra em Junho de 2010.

De acordo com a Sociedade Meteórica seu banco de dados principal até hoje possuía 39579 meteoritos identificados e confirmados. Agora esse total pode atingir os 39580 de acordo com a agência japonesa JAXA, com as pequenas partículas que foram encontradas dentro da sonda Hayabusa.

A sonda retornou para a Terra no dia 13 de Junho de 2010 em uma espetacular reentrada noturna sobre a Austrália. Equipes de resgate chegaram até a cápsula no dia seguinte. Nos meses seguintes, os especialistas trabalharam de forma exaustiva em uma sala muito limpa no campus Sagamihara da JAXA examinando de forma meticulosa o interior da cápsula.

Em Julho de 2010 alguns prospectos se mostraram animadores uma vez que uma equipe de cientistas encontrou pequenas partículas dentro da câmara. Mas até agora essas partículas não eram confirmadas como sendo de origem extraterrestre. De acordo com o pesquisador Sho Sasaki (National Astronomical Observatory of Japan) as partículas são ricas em ferro, olivina e piroxênio. Essa composição é consistente com as observações feitas em Terra do asteroide Itokawa, que sugere que esse pequeno corpo celeste alongado com 630 metros de comprimento é um asteroide do tipo S com uma composição rochosa.

De acordo com o press release da JAXA (que está logicamente em japonês), as partículas microscópicas foram recuperadas usando uma ferramenta especial. Como já foi dito a maior parte dessas partículas tem um diâmetro de 10 mícron e em torno de 1500 dessas partículas encontradas na sonda não possuem analogia terrestre levando os pesquisadores a concluírem que elas vieram direto do Itokawa.

“Eles removeram essas partículas da câmara A e muito mais ainda existe dentro dela”, disse Michael Zolensky, um cientista da NASA que ajuda nas análises. A câmara amostral B ainda não foi aberta e pode conter também amostras espaciais.

Isso é altamente recompensador principalmente para uma pequena equipe de engenheiros que conseguiu trazer a sonda Hayabusa de volta para Terra mesmo depois de enfrentar terríveis obstáculos.

O principal problema foi a falta de comunicação durante o pouso da sonda no asteroide. Mas as coisas ficaram piores quando linhas de combustível se romperam e o combustível corrosivo começou a vazar no seu interior. Com isso ela perdeu suas bateiras e os foguetes controladores de altitude. Sem ser aquecida pela luz solar a sonda basicamente congelou. Os engenheiros só conseguiram reanimar a sonda em 2006, depois que ela fez uma manobra e conseguiu e reaquecer. Mesmo não retomando toda a sua atividade a sonda Hayabusa que significa falcão, conseguiu retornar para a Terra.

Por mais de sete anos, os oficiais da JAXA têm mantido seus olhos atentos no sucesso da missão Hayabusa, a primeira missão nacional a um asteroide. A sonda que já enfrentou todos os tipos de dificuldades está agora nos presenteando com amostras mesmo que micrométricas da história do nosso Sistema Solar.

Fontes:

http://www.skyandtelescope.com/news/108299129.html

http://www.jaxa.jp/press/2010/11/20101116_hayabusa_j.html

http://e.nikkei.com/e/fr/tnks/Nni20101116D16EE017.htm

http://translate.google.com/translate?js=n&prev=_t&hl=de&ie=UTF-8&layout=2&eotf=1&sl=ja&tl=en&u=http://hayabusa.jaxa.jp/

http://www.planetary.org/blog/article/00002775/

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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