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29 de fevereiro de 2024

Brayley G – Um Amendoin na Lua

Poucos observadores provavelmente olham a região perto da pequena cratera Brayley na parte oeste do Mare Imbrium mas quando a equipe da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter aponta sua poderosa câmera para esse local pode-se observar que existe ali uma feição bem interessante. A cratera Brayley G com 3 quilômetros de comprimento por 5 quilômetros de largura passa facilmente desapercebida pois ela não é especialmente profunda, não possui raios e não tem nada especial, pelo menos quando observada através de telescópios. Mas sendo observada pela poderosa câmera da sonda LRO a Brayley G não se apresenta como uma cratera de impacto tradicional. Em primeiro lugar, crateras de impacto são normalmente arredondadas e não possuem a forma de um amendoim. Além disso, através dessa imagem da órbita da Lua pode-se ver que essa cratera não é circundada por um anel elevado, mas de fato ela é uma depressão dentro de outra. Essa feição foi reconhecida como vulcânica na época das missões Apollo, mas não existe evidência que ela foi uma abertura, uma fonte de fluxo de lava ou cinzas. Ela aparentemente se formou pelo colapso. Essa hipótese do colapso ganha mais força quando olhamos na região ao seu redor. Para o norte, perto da letra S pode-se perceber o afundamento da superfície, que tem aparentemente a mesma forma e tamanho da Brayley G, talvez pelo fato de não ter um vazio significante abaixo ela não afundou completamente. Para o sul da G existe uma linha de cinco ou mais cavidades de colapso sem anéis (C). Pode-se imaginar que todas essas feições localizam-se sobre um tubo de lava que transportou  magma que eclodiu e tornou-se então as lavas do Mare Imbrium. Essa interpretação já é dada há muitos anos em várias fontes, de modo que deve ser mesmo a interpretação verdadeira para o que ocorre com a Brayley G.

Fonte:

https://lpod.wikispaces.com/January+27%2C+2012

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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