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Astrônomos Mostram Que Os Berçários Estelares São Diferentes No Universo Próximo

Uma equipe de astrônomos usando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, o ALMA, completou a primeira pesquisa de nuvens moleculares no universo próximo, revelando que ao contrário do que se pensava antes, esses berçários estelares não parecem iguais e nem agem da mesma forma. De fato, eles são diversos, assim como as pessoas são diferentes, as casas são diferentes, as vizinhanças e as regiões do nosso mundo.

As estrelas são formadas nas nuvens de poeira e gás chamadas de nuvens moleculares, ou berçários estelares. Cada berçário estelar no universo pode formar milhares ou até mesmo dezenas de milhares de estrelas novas durante a sua vida. Entre 2013 e 2019, os astrônomos no projeto Physics at high angular Resolution in Nearby GalaxieS, ou PHANGS conduziram a primeira pesquisa sistemática de 100 mil berçários estelares em 90 galáxias do universo próximo para entender melhor como eles se conectam com suas galáxias parentais.

Normalmente se pensa que todos os berçários estelares em cada galáxia sejam mais ou menos parecidos, mas essa pesquisa revelou que esse não é o caso, os berçários estelares são diferentes. Essa é a primeira vez que se tem imagens em comprimento de onda milimétrico de muitas galáxias próximas que possuem a mesma qualidade óptica. As imagens feitas na luz visível mostram a luz das estrelas, já essas novas imagens mostram as nuvens moleculares que formam essas estrelas.

Os cientistas compararam essas mudanças às mesmas mudanças que temos com as casas, as pessoas, as vizinhanças, as cidades e tudo mais que temos aqui no nosso planeta.

Para entender como as estrelas se formam, nós precisamos linkar o nascimento de uma única estrela ao seu lugar no universo. É como linkar uma pessoa à sua casa, à sua cidade, à sua região. As observações feitas com o ALMA mostraram que as vizinhanças possuem pequenos mas pronunciados efeitos sobre como e onde muitas estrelas nascem.

Para melhor entender a formação das estrelas em diferentes tipos de galáxias, os astrônomos observaram similaridades e diferenças nas propriedades do gás molecular e no processo de formação de estrelas dos discos das galáxias, as barras estelares, os braços espirais e o centro das galáxias. Eles confirmaram que a localização, ou a vizinhança, tem um papel crítico na formação das estrelas.

Mapeando os diferentes tipos de galáxias e diferentes tipos de ambientes que existem dentro das galáxias, os astrônomos conseguem traçar todas as condições onde as nuvens formadoras de estrelas vivem no atual universo. Isso permite que os astrônomos possam medir o impacto que diferentes variáveis tenham no processo de formação.

Como as estrelas se formam, e como as galáxias afetam esse processo são aspectos fundamentais da astrofísica. O projeto PHANGS utiliza o excepcional poder de observação do ALMA e com isso foi possível se ter uma boa ideia sobre a história da formação de estrelas de uma maneira nova e diferente.

Essa é a primeira vez que os cientistas têm imagens das nuvens de formação de estrelas em uma grande quantidade de galáxias. E as propriedades das nuvens de formação de estrelas dependem de onde elas estão localizadas. As nuvens nas densas regiões centrais das galáxias, tendem a ser mais massivas e mais densas e mais turbulentas do que as nuvens que residem nas regiões periféricas das galáxias. O ciclo de vida dessas nuvens também depende do ambiente. O quão rápido uma nuvem forma estrelas e o processo que no final destrói a nuvem ambos dependem de onde as nuvens vivem.

Essa não é a primeira vez que os berçários estelares tem sido observados em outras galáxias usando o ALMA, mas quase todos os estudos anteriores eram focados em galáxias de forma individual ou em parte de uma galáxia. No período de cinco anos, o PHANGS conseguiu uma visão completa de uma grande população de galáxias próximas. O projeto PHANGS é uma nova forma de cartografia cósmica que nos permite ver a diversidade das galáxias em uma nova luz, literalmente.

Os astrônomos estão finalmente vendo a diversidade das regiões de formação de estrelas em muitas galáxias e estão sendo capazes de entender como elas mudam com o passar do tempo. Antes do ALMA era impossível ver mapas tão detalhados como esses. Esse novo atlas contém 90 dos melhores mapas já feitos que revelam onde a próxima geração das estrelas estão se formando.

Esse novo atlas não representa o fim da linha. Ao mesmo tempo que essa pesquisa respondeu algumas importantes questões sobre onde e como, ela trouxe outras questões. Essa é a primeira vez que se tem uma visão clara da população dos berçários estelares através do universo próximo. E isso é um grande passo na direção de entender de onde nós viemos. Enquanto nós agora sabemos que os berçários estelares variam de um lugar para outro, nós ainda não sabemos por que ou como essas variações afetam a formação das estrelas e dos planetas. Essas questões é que os astrônomos esperam responder no futuro próximo.

Fonte:

https://public.nrao.edu/news/alma-phangs-stellar-nursery-census/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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