As Nebulosas NGC6334 (Pata de Gato) e NGC6357 (Lagosta) – Por Rodrigo Andolfato

rodrigo_lagosta_pata_01

observatory_150105Localizadas na constelação de Scorpius, o Escorpião, a NGC 6334 e a NGC 6357 residem a aproximadamente 5500 anos-luz de distância da Terra. A NGC 6334, a Nebulosa da Pata do Gato, lembra uma apagada impressão de uma pata de gato no céu. Ela é uma nebulosa de emissão com uma coloração vermelha que se origina da abundância de átomos de hidrogênio ionizados. Com o nome alternativo de a Nebulosa da Garra de Urso, estrelas com uma massa dez vezes maior que a massa do Sol têm nascido ali somente nos últimos poucos milhões de anos. Essa nebulosa foi descoberta pelo astrônomo John Herschel em 1837, que a observou desde o Cabo da Boa Esperança na África do Sul.

Na NGC 6357, a Nebulosa da Lagosta, algumas das estrelas mais massivas estão se formando. Somente uma estrela é 100 vezes mais massiva que o nosso Sol. Por razões desconhecidas, a NGC 6357 forma essas super estrelas. A NGC 6357 é o lar do aglomerado aberto de estrelas Pismis 24, onde residem estrelas tremendamente brilhantes e azuis. O brilho vermelho geral perto da região interna de formação de estrelas resulta da emissão de gás hidrogênio ionizado. A região ao redor da nebulosa abriga uma complexa tapeçaria de gás, poeira escura, estrelas ainda em formação e estrelas recém-nascidas. Os intrigantes padrões são causados pela complexa interação entre os ventos interestelares, as pressões de radiação, os campos magnéticos e a gravidade. A NGC 6357 se espalha por aproximadamente 400 anos-luz.

A maior parte das fotos obtidas das regiões de nebulosas ao redor de estrelas em formação mostra que a nebulosidade avermelhada está associada com uma ou mais estrelas muito quentes, e brilhantes. Essas estrelas são responsáveis pela emissão de uma radiação ultravioleta que ioniza os átomos de hidrogênio. Essa energia absorvida é eventualmente liberada como um comprimento de onda distinto na sua maioria na luz visível, sendo que a sua componente mais forte, ou seja, mais intensa, localiza-se na parte vermelha do espectro.

Além disso, outros comprimentos de onda contribuem para a cor geral da região. Mais proeminentes são as linhas na parte azul do espectro, de modo que a cor normal de uma região de formação de estrelas é magenta, uma coloração vermelha azulada, sendo que a exata tonalidade depende da quantidade de luz azul presente. Contudo, as nebulosas de formação de estrelas NGC 6334 e NGC 6357, aqui apresentadas estão enterradas no plano da via Láctea, em direção do Escorpião, e são observadas através de uma espessa nuvem de poeira. A poeira tanto espalha e absorve a luz azul ao longo da linha de visão, dando as nebulosas uma coloração avermelhada.

A imagem acima foi feita pelo grande astrofotógrafo brasileiro Rodrigo Andolfato. A imagem principal desse post é o resultado da junção de uma imagem obtida com a Atik 314L+, com outra, feita com uma câmera Canon T2i, ambas com lentes de 135 mm. A imagem feita com a Atik 314+, mostrada abaixo foi feita da varanda do apartamento do Rodrigo em Brasília. Já a imagem feita com a Canon foi obtida em uma chácara em Setembro de 2012. Nas imagens pode-se ver claramente a forma das duas nebulosas, todo o campo estelar ao redor e as nuvens escuras de poeira que permeiam a região. Pode-se notar também o brilho vermelho ao longo da região imageada. Fica aqui mais uma vez meus parabéns para o Rodrigo que tem feito imagens sensacionais do universo mostrando como é fascinante a astrofotografia. Parabéns Rodrigo pelo belo trabalho.

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Fonte:

https://www.facebook.com/rodrigo.andolfato

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Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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