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27 de setembro de 2021

As Diferentes Faces da Galáxia do Redemoinho

Diferente da famosa tela de Andy Warhol, onde um gride mostra imagens repetidas só que em cores diferentes, as tonalidades variando dessa galáxia representam como a sua aparência muda em diferentes comprimentos de onda da luz, da luz visível até a luz infravermelha observada pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA.

A Galáxia do Redemoinho, também conhecida como Messier 51, e NGC 5194/5195, é na verdade um par de galáxias que estão puxando e distorcendo uma a outra através da sua atração gravitacional mútua. Localizada a aproximadamente 23 milhões de anos-luz de distância da Terra, ela reside na constelação de Canes Venatici.

O painel, mais a esquerda (a) mostra o Redemoinho na luz visível, como o nossos olhos observam através de um poderoso telescópio. De fato, a imagem foi feita pelo Observatório Nacional de Kitt Peak, usando o telescópio de 2.1 metros. Os braços espiralados são marcados com listras escuras de poeira que irradiam menos luz visível e obscurece as estrelas posicionadas dentro ou atrás deles.

O segundo painel a partir da esquerda, (b), inclui dois comprimentos de onda da luz visível, o azul e o verde, do Kitt Peak, mas adiciona dados em infravermelho do Spitzer, mostrados em vermelho. Isso enfatiza como os véus de poeira escura que bloqueiam a nossa visão na luz visível começam a se iluminar nos comprimentos de onda mais longos, do infravermelho.

A imagem completa do Spitzer pode ser vistas nos dois painéis da direita que cobrem intervalos ligeiramente diferentes da luz infravermelha.

No painel do meio, (c), nós temos 3 comprimentos de onda da luz infravermelha, 3.6 mírcon em azul, 4.5 mícron em verde e 8 mícron em vermelho. A luz das bilhões de estrelas do Redemoinho é mais brilhante em comprimentos de onda mais curtos do infravermelho e é vista aqui em tonalidades de azul. Os pontos azuis individuais na imagem são na sua maior parte estrelas próximas e galáxias distantes. As feições em vermelho nos mostram a poeira composta na sua maior parte de carbono que é iluminada pelas estrelas na galáxia.

Essa poeira brilhante ajuda os astrônomos a observarem as áreas de gás mais denso nos espaços entre as estrelas. Densas nuvens de gás são difíceis de serem observadas na luz visível e no infravermelho, mas elas estão sempre presentes onde existe poeira.

O painel mais a direita, (d), expande a nossa visão infravermelha para incluir a luz no comprimento de onda de 24 mícron, em vermelho, que é particularmente boa para destacar áreas onde a poeira é especialmente quente. Os pontos brilhantes, branco-avermelhados, traçam as regiões onde novas estrelas estão se formando e, no processo, aquecendo suas vizinhanças.

A visão infravermelha da Galáxia do Redemoinho também mostra como suas duas partes se diferem drasticamente: A galáxia companheira menor no topo da imagem foi arrancada perto de feições livres de poeira que brilham intensamente na galáxia espiral abaixo. O brilho azulado um pouco apagado visto na galáxia superior é provavelmente a mistura da luz das estrelas arrancada das galáxias enquanto os dois objetos se aproximavam.

A imagem na luz visível do Kitt Peak (a), mostra a luz em 0.4 e 0.7 mícron, azul e vermelho. As imagens c e d, são do Spitzer, com as cores, vermelho, verde e azul correspondendo aos comprimentos de onda de 3.6, 4.5 e 8.0 mícron, na imagem do meio, a c, e a 3.6, 8.0 e 24 mícron, na imagem mais a direita, a d. A imagem do meio, a b, mistura os comprimentos de onda da luz visível, azul e verde e da luz infravermelha, amarelo e vermelho. Todos os dados mostrados aqui foram lançados como parte do Spitzer Infrared Nearby Galaxies Survey, ou SINGS, e forma capturadas durante as missões criogênica e quente do Spitzer.

Spitzer Infrared Nearby Galaxies Survey (SINGS) project, captured during Spitzer’s cryogenic and warm missions.

O Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, na Califórnia, gerencia a missão do Telescópio Espacial Spitzer para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. As operações científicas são conduzidas no Lockheed Martin Space Systems em Littleton, Colorado. Os dados são arquivados no Infrared Science Archive localizado no IPAC do Caltech. O Caltech gerencia o JPL para a NASA.

Para mais informações sobre o Spitzer, visite:

www.nasa.gov/spitzer and www.spitzer.caltech.edu/

Fonte:

https://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?feature=7437

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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