Arco-Íris na Lua

Algumas imagens feitas pela sonda LRO na Lua mostram efeitos de iluminação interessantes. Com as imagens coloridas obtidas pela Wide Field Camera da LROC os efeitos podem ser mais extremos e o desenho da câmera pode nos levar a observações cientificamente estranhas. Esse é o caso da imagem acima, onde os filtros de 689 nm, 643 nm e 604 nm são mostrados em vermelho, verde e azul respectivamente. Essa imagem foi adquirida com o Sol exatamente acima do alvo, permitindo então que se pudesse observar a onda de oposição. Isso é na verdade uma onda em brilho que ocorre quando o Sol está diretamente além do observador causando dois efeitos. Primeiro não existe sombra vista na superfície pois cada grão da sombra do solo está escondido diretamente atrás dele. Segundo, à medida que a luz é refletida de volta ao observador ela sofre uma interferência construtiva com ele.

Mas por que a imagem acima tem um arco-íris? Isso ocorre pois cada filtro observa diferentes pedaços do terreno em tempos diferentes, ou seja, observa a onda de oposição em tempos um pouco diferentes. Quando as observações de filtros separados são combinadas em uma imagem de cor única, esse ponto de brilho desviado é visto como um arco-íris. Quando nós montamos o mosaicos para observar a variação de cor na superfície lunar nós usamos imagens onde o Sol está um pouco mais baixo no céu (em torno de 30 graus da vertical) onde esse efeito extremo não é mais visto. Mas isso não significa que essas imagens não sejam úteis – elas fornecem um grande novo banco de dados para se estudar como a luz interage com os particulados da superfície em diferentes comprimentos de onda. Talvez esse seja um campo de estudo esotérico, mas esses dados podem ajudar a entender a reflectância das imagens e o espectro que nós temos da Lua e de outros corpos do Sistema Solar.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/283-Rainbows-on-the-Moon.html

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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