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17 de setembro de 2021

A Mais Distante Nebulosa de Formação de Estrelas já Observada

Uma galáxia muito distante foi descoberta e está  formando estrelas numa taxa de 250 Sóis por ano em quatro nebulosas formadoras de estrelas que se espalham por centenas de anos-luz de extensão. A descoberta sustenta  a evidência de que galáxia formavam estrelas e então depois cresciam em tamanho, muito mais rapidamente no passado do que atualmente.


A galáxia catalogada como SMM J2135-0102, é vista como ela estava 3.7 bilhões de anos depois do Big Bang, ou seja, sua luz viajou até nós por 10 bilhões de anos, o que dá a ela um redshift igual a 2.3. Galáxias tão distantes, normalmente são muito apagadas, mas essa ampliada por meio de uma lente gravitacional – um aglomerado de galáxias localizado entre nós observadores e a galáxia observada que aumenta a luz da galáxia mais distante que estamos observando. Essa galáxia foi primeiramente notada no comprimento de ondas de rádio pelo telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) localizado no Observatório Sul Europeu no Chile, que observou poeira sendo aquecida pelas chamas das formações de estrelas dentro da galáxia, e essas regiões de formação de estrelas por si mesmas foram observadas diretamente em seguidas observações feitas pelo telescópio Submillimeter Array no Havaí.


“com as observações seguidas nós fomos capazes de estudar as nuvens onde as estrelas estavam se formando na galáxia com grande precisão”, disse Dr. Mark Swinbank da Universidade de Durham (press release da universidade: http://www.eurekalert.org/pub_releases/2010-03/du-egw031910.php), que liderou a equipe de descoberta. Eles encontraram que a taxa de formação de estrelas era maior na SMM J2135-0102 do que a taxa atual na Via Láctea onde 10 massas solares de estrelas são formadas por ano. As quatro regiões de formação de estrelas  na SMM J2135-0102 também é muito maior do que os típicos berçários na nossa galáxia, colocadas lado a lado, a Nebulosa de Orion apareceria 100 vezes mais apagada e no mínimo três vezes menor.


É a segunda vez em seis meses que Swinbank anuncia a descoberta de uma galáxia distante que está formando estrelas numa taxa elevada. Os astrônomos há muito tempo estão suspeitando que as galáxias produzam estrelas mais rapidamente quando o universo ainda era jovem e que a formação das estrelas mais massivas passou pelo seu pico entre 10 e 11 bilhões de anos atrás. Quanto maior a região de formação de estrelas, mais estrelas irão nascer, e à medida que mais estrelas nascem existe uma chance maior delas se tornarem estrelas realmente massivas. No último mês foi relatado que a razão para as galáxias formarem estrelas mais rapidamente há muito tempo atrás é porque elas estavam experimentando um grande influxo de gás. Estudos de galáxias como a SMM J2135-0102 são cruciais para ajudar a entender melhor a formação de estrelas.


Fontes:

http://www.astronomynow.com/news/n1003/22galaxy/

http://spacefellowship.com/news/art19208/picture-of-the-day-close-up-of-star-factories-in-distant-universe.html

http://www.universetoday.com/2010/03/21/galaxies-in-early-universe-experienced-growth-spurt/

http://www.eurekalert.org/pub_releases/2010-03/hcfa-ags031710.php

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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