A Interessante Região da Cratera Dante na Lua

Poucos são os seres humanos que tiveram a chance de ver como é o lado escuro da Lua. No futuro se a exploração lunar retornar a figurar entre as prioridades, exploradores humanos enviados próximos à cratera Dante nos planaltos do lado escuro irão pesquisar as amostras da crosta mais antiga e primordial da Lua. Existiu uma época após a formação da Lua quando toda a sua superfície era coberta por um oceano de magma, a camada mais superior desse oceano de magma se cristalizou para formar uma camada global de anortosito. Desde dessa época, impactos e outros processos geológicos têm quebrado e perturbado a superfície, mas essa área pode possuir significantes quantidades de rochas originais. Anortositos lunares originais são tipos de materiais relativamente raros de serem encontrados nas amostras trazidas pelas missões Apollo. Com amostras suficientes seria possível aprender quando a crosta primordial da Lua começou a se formar e quando ela completou o seu processo de formação. Os cientistas também gostariam de aprender sobre a taxa de formação de crateras durante o período inicial da formação da Lua. O antigo solo contém rochas que se formaram pelo derretimento causado pelo impacto que pode ser datado para aprender quando o impacto que a criou ocorreu. Os impactos ocorreram espalhados por um longo período de tempo ou se concentraram em um período curto? A obtenção de amostras dessas antigas terras altas ajudariam a melhor entender esse período inicial de desenvolvimento do Sistema Solar, período esse que tem implicações profundas para o entendimento da história inicial da Terra.

A região de Dante tem uma abundancia de alumínio, cálcio que é disponível para utilização de recursos in-situ, permitindo assim aos exploradores prolongarem sua estadia nessa região através do processamento do material local para produzir oxigênio e combustível enquanto estariam construindo locais para permanecer na Lua e outras estruturas importantes.

Os exploradores nessa região nunca veriam a Terra. Eles só teriam uma visão desobstruída da Via Láctea acima de suas cabeças. O Sol nasceria e desapareceria uma vez por mês, e todas as comunicações com a Terra teriam que ser feitas por satélites que gerariam uma verdadeira rede de comunicação. Contudo, com a própria Lua tampando esse local das luzes brilhantes e das ondas de rádio da Terra, a parte central dos planaltos do lado escuro da Lua seriam na verdade um ótimo lugar para a astronomia, especialmente para observações de baixa frequência do céu.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/214-Dante-Crater-Constellation-Region-of-Interest.html

 

 

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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